Afinal, existe ou não crítica positiva?

quarta-feira, junho 19, 2013
Olá, pessoinhas. Perdoem pelo hiatus gigantesco no blog. Juro que não foi minha intenção e todas as minhas ideias de trazer novidades e coisas mais legais pra cá continuam. Mas hoje quero aproveitar os meus momentos de estudos para trazer uma reflexão interessante pra gente. Já vou logo deixando claro que o objetivo não é eu apresentar uma resposta no final, é mais abrir a cabeça pra um pensamento novo mesmo. Tanto que sequer vou apresentar minha opinião nesse momento.
Como todos já sabem, e quem não sabe vai saber agora, eu faço pedagogia. E não, não quero ser professora da educação infantil, mas isso é assunto pra outro post. O fato é que dei uma pausa nos meus estudos para compartilhar aqui um texto bem interessante que, apesar de ser voltado estritamente pro campo pedagógico, a gente pode tirar algumas conclusões bastante úteis. Como beta-reader, estou lidando o tempo inteiro com o ponto principal do texto e até pude compreender um pouco mais sobre o termo realmente quer dizer.
Enfim, o texto é do autor Pedro Demo (não sei se alguém aqui já ouviu falar) e pode ser encontrado no começo do capítulo 4 do livro “Mitologias da Avaliação”, intitulado “Algumas Contradições Performativas”. Trata especificamente da avaliação escolar, mas também podemos usar em outros contextos em que a avaliação se faz presente (afinal, betar é uma atividade de avaliar, de qualquer forma. Com a diferença de que nenhum de nós aprova ou reprova nenhum dos autores no fim do ano, embora alguns mereçam essa última).
Chega, vamos lá. O texto é um pouco grande, mas vale a pena. Os grifos são meus e espero que gostem, deixem comentários, repassem pros outros blablabla... Até o próximo post ;D



1.                 Sobre a “crítica positiva”

Na conclusão de um curso de pós-graduação lato sensu em Belém (1996, no Sistema Municipal de Educação), por ocasião da apresentação das monografias, a turma fez de tudo para emplacar a ideia de que não se poderia criticar os textos. Tendo em vista que o orientador havia acompanhado e aprovado o trabalho, não seria mais o caso de colocar em xeque o esforço do aluno. Apelou-se inclusive para expedientes “extracampo”, como pressão política e reação tendenciosa da plateia, com vistas de pressionar os examinadores no sentido de que a crítica já não seria tolerada. Tratando-se de curso para educadores da Rede Municipal de Educação e tendo como um de seus fulcros o desenvolvimento da capacidade crítica, causou espécie tal atitude. Frequentemente aparecia a ideia, segundo a qual a critica só poderia ser adequada se fosse positiva.
Na verdade, não se trata de fato isolado, mas de hábito comum entre educadores, em particular entre pedagogos. Acalentam a expectativa de que a relação pedagógica mais adequada ou mesmo mais típica é aquela marcada pelo elogio ou pela não exigência. Embora não falte o recurso ao “amor exigente” como procedimento para encarar a indisciplina em sala de aula, na prática convive-se mal com a crítica. Não se trata apenas da dificuldade da crítica, mas principalmente da dificuldade de aceitar a crítica que venha de outrem. Daí é apenas um passo para chegar à ideia de que a crítica seria fator adverso da aprendizagem. Função central do professor não é apontar erros, mas sustentar o elogio, seja por conta de não danificar a autoestima do aluno, seja para incutir no processo o prazer de sentir-se elogiado, seja por conta de tipo de envolvimento pedagógico marcado pela disponibilidade irrestrita.
De novo, confunde-se aqui entre crítica mal posta, e a crítica como tal. Do ponto de vista metodológico, crítica é sempre negativa. Crítica “positiva” é outra coisa, quer dizer, é elogio. O elogio pode ser importante para fins pedagógicos, mas não substitui a crítica. Criticar é precisamente apontar erros, falhas, vazios. Seu caráter negativo lhe é intrínseco e tem nisto mesmo sua significação própria. O modo como fazemos a crítica é outra questão, mas mesmo a mais elegante é feita para “destruir”, não para escamotear os problemas. A ação desconstrutiva da crítica é sobretudo trunfo do conhecimento pós-moderno, porque é ela que torna todas as teorias provisórias, se coaduna melhor com a incerteza e a imprecisão da realidade, provoca a inovação como processo permanente. Em particular a dinâmica inovadora, que podemos até considerar como obsessiva, sobretudo quando atrelada ao mercado competitivo globalizado, advém do ímpeto desconstrutivo de teor crítico, ou, se assim quisermos, da má vontade da comunidade acadêmica. Também quando conjugamos aprendizagem com erro, estamos sempre apontando para a crítica, em especial, para a autocrítica. Podemos fazer elogio ao erro, mas isso não desfaz que seja erro.
A insistência na crítica “positiva” esconde uma série de problemas no professor e no pedagogo, tais como:

a)    Teme ser criticado, até porque sente muita dificuldade em suportar debate exigente em termos acadêmicos; para evitar a crítica, julga ser tática inteligente desqualificar a crítica desconstrutiva;
b)    Na teoria, defende a crítica, ou pelo menos algo que podemos chamar de “consciência crítica”, seja via de Paulo Freire, ou de Gramsci, ou do marxismo em geral; na prática, falta a coerência final da crítica que é a autocrítica; com isto aponta a contradição performativa clássica: critica, mas não suporta ser criticado;
c)    Movido por uma noção superficial e mesmo fútil de autoestima, imagina que a crítica seja sempre algo que a deturpa ou impede, enquanto qualquer fundamentação mais exigente de cunho científico haveria de reconhecer que a autoestima só não é farsante se combinar com a autocrítica; a autoestima sustentada pela farsa, dura enquanto dura a farsa cai de vez (Baraldi, 1994);
d)    Por entender mal o processo de reconstrução do conhecimento, que sempre implica, para ser inovador, a respectiva desconstrução, vê nesta apenas as faces negativistas; entretanto, uma coisa é a crítica negativa, outra é a negativista;
e)    Por ter percepção adocicada da vida em sociedade, própria de visões acadêmicas funcionalistas banais, não sabe encaixar a importância para o desenvolvimento das pessoas de saber administrar a dor, a rejeição, a pressão; confunde o lado duro da crítica, com amargura;
f)       Por geralmente não dispor de vida acadêmica produtiva — por exemplo publicar sistematicamente — ignora que, para todo autor, o importante é saber da crítica, mesmo daquela que possamos tachar de injusta; academicamente falando, o elogio nada acrescenta.

Existe certamente face correta nesta preocupação: não se perder na amargura de quem só sabe ver o lado negativo das coisas. Tratar-se-ia então de negativismo. No fundo, porém, quem não sabe escutar a crítica, não sabe aprender. Em ambiente civilizado, como deveria ser aquele dos educadores, a crítica, por mais dura que possa ser, deveria ser formulada em termos elegantes e sempre no sentido da colaboração. De todos os modos, há que distinguir entre criticar ideias e criticar as pessoas. Em nossos ambientes, nos quais relacionamentos entre pessoas e acadêmicos facilmente se confundem, tendemos a interpretar a crítica como ofensa.
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E então? Existe crítica positiva? Ou o que difere uma crítica de uma ofensa é a forma como ela é feita? Whatever, o que vocês pensam sobre isso?
Independentemente do que seja, me desejem sorte. Vou apresentar um seminário sobre isso logo mais. Fui ;*

Um comentário:

  1. yeahhh! aqui estou eu, burra pra usar essw blogger no tablet mas to por aqui né? kkkk bem como eu imaginava,a gatita Bran, tem um Blog, kkkk e n divulga p eu saber hauahaua pois é to por aqui observando! member now!

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