Entrevista: Os bastidores da página

sábado, julho 19, 2014
Olá, ficwriters. Como o prometido, aqui estão as respostas das perguntas formuladas por vocês. Vamos conhecer um pouco mais do que (de quem) está por trás da página. Divirtam-se :)





Vitor Gonela Brunello: Quem teve a ideia de criar a page?
Em meados de não-vou-lembrar-agora-que-ano, eu (Michele Bran) tive a ideia de fazer um perfil no Twitter para juntar ficwriters de diferentes sites. Com o tempo, a ideia foi aumentando, as pessoas começaram a participar e me veio a ideia de criar a página. Muitas pessoas já passaram pela moderação/administração tanto da página quanto do perfil no Twitter me ajudando a colocar as coisas em ordem. No momento, sou a única na equipe oficial, mas tenho tantos amigos dando dicas, sugerindo coisas, fazendo críticas bacanas e talz, até mesmo seguidores da página, que seria meio egoísmo dizer que levo a page sozinha, por isso sempre prefiro falar no plural. Nós postamos. Nós temos ideias. Nós investimos tempo na página.


Juliana Rosa Araújo: Qual site de fanfictions prefere?
O que achou da retirada da categoria banda do Nyah?
No momento, só posto no Nyah mesmo, portanto posso dizer que é meu preferido. Gosto do layout, da facilidade de usar e, apesar de algumas ressalvas com algumas funcionalidades, acho que é o melhor site de fics em atividade no Brasil.
Sobre a retirada das fanfics com pessoas reais do site, meu lado leitora foi mais afetado que o lado escritora (até porque só escrevo originais). Fiquei bem triste pelas muitas histórias boas que nem cheguei a conhecer porque não deu tempo e pelas outras que jamais descobrirei o final, mas fazer o quê? Regra é regra.


Bianca Vivas: Quais os conselhos vocês dão para quem está começando no ramo da escrita?
Primeiramente, muita leitura. Ler livros de vários gêneros (e não somente do que você quer escrever) pode ajudar bastante a melhorar seu nível de escrita e descobrir outras formas de narrar.
Segundo, pratique muito. Assim como no esporte, por exemplo, a única forma de melhorar sua escrita é treino. No começo, nossas histórias dificilmente são boas e bem escritas, então procure sempre lê-las, identificar seus prontos fortes (e investir neles) e os fracos (para corrigi-los) e reescreva o que for necessário.
Terceiro, não desanime. Certo nível de qualidade é algo que todos nós demoramos pra alcançar, alguns mais que outros. Sempre terão aquelas pessoas para fazer comentários muito maldosos. Os reviews nem sempre terão a qualidade/quantidade desejada. Mas nunca desanime. Se escrever é o que você realmente gosta de fazer, não se abale e continue. Continue praticando, aproveite o máximo possível das críticas que recebe e insista. A grande maioria dos autores conhecidos que temos hoje levaram muito “não” antes de terem seu trabalho reconhecido, mas não desistiram. Siga o exemplo.


Lais Silva: Como vocês avaliam as fanfics divulgadas no site?
No momento, não tem uma avaliação prévia. Todas as fics que chegam até o inbox são divulgadas na ordem em que recebemos os links e preferimos deixar que os seguidores avaliem quais vão ler ou não. No máximo, algum errinho de digitação ou ortografia é corrigido, exceto na divulgação de sinopses para avaliação (divulgamos tal qual a sinopse chega para que os seguidores avaliem e apontem os erros diretamente pro/a autor/a).


Jessica Leandro: Como vocês sabem se uma fic é boa ou não?
Eu, particularmente, observo como o autor ou autora conta a história. Se o enredo é envolvente, bem construído, verossímil e com bons personagens, pode até ter alguns errinhos de português que eu vou ler do mesmo jeito. Acho que aprender regras de escrita é bem mais fácil que aprender a envolver com um enredo, então procuro sempre contadores de boas histórias. Assim, se for necessário, é só ajudar mais nessa parte ortográfica ou gramatical dando sugestões.
Mas a fic realmente boa é a que o autor/autora sabe como contar a história bem e o faz com o mínimo de erros possível.


Suellen Oliveira: Para vocês, como é a sinopse perfeita?
Em minha humilde opinião, menos é mais para sinopses. Não adianta fazer uma sinopse gigantesca, porque elas costumam cansar o leitor. O ideal é passar apenas as informações necessárias (Quem? Onde? Quando? Por quê?, sem contar o final, claro) ou mesmo um trecho mais chamativo da história. Muitas vezes, me sinto mais atraída por uma frase interessante do que por um texto de 500 palavras.


Douglas Alves: Quais os tipos de fanfics que mais lhes atraem?
Gosto muito de mistério, suspense, terror e fantasia. Também curto romances policiais, mas nas fanfics é mais difícil de achar. Adoro originais bacanas e, principalmente, histórias de vampiros.


Jaqueline Coelho Zacher: Quais seus critérios de avaliação de uma fanfiction?
O que acham dos autores que escrevem errado propositalmente, apenas por preguiça de corrigir os erros, e que respondem as reviews de maneira grossa?
Como disse ali em cima, eu geralmente avalio mais o lado criativo da história. Se a história me prende, se me parece possível, se os personagens me parecem reais, etc. Isso que é a alma da história pra mim. Acho muito mais “ensinar” alguém português do que como contar uma boa história.
Sou bem sincera quando digo que prefiro alguém que escreve errado porque não sabe do que quem faz isso por preguiça. Preguiça é algo que não combina com um escritor que quer melhorar e ser reconhecido (ou profissionalmente ou de forma amadora, num site de fanfics). Sucesso todos nós queremos, mas ele só vem com dedicação. Aliás, dedicação e postura. Nenhum de nós gosta de ser mal tratado então, sinceramente, não entendo porque tem autores que destratam tanto seus leitores. Ser educado, simpático e cordial, mesmo quando recebe uma crítica mais dura, é muito interessante num autor e demonstra maturidade. Maturidade, qualidade e dedicação sempre atraem leitores, mais cedo ou mais tarde.


Flávia Salvato: Quando estão a escrever um livro/fic, partilham a história com alguém
para se aconselharem antes de postar?
Sempre procuro a opinião de minha beta-reader e de uma ou duas amigas mais próximas. Como só escrevo originais e pretendo publicá-las num futuro próximo (e aqui fica outro conselho para escritores de originais:), procuro tomar muito cuidado a respeito disso e costumo pensar bem sobre para quem vou mostrar meus escritos. Só o faço para pessoas que confio, pois sempre pode ter um pra se aproveitar e roubar ideias.


Ana Beatriz Pires: Alguém da equipe tem um livro publicado? Se sim, como foi o processo?
Eu pretendo lançar livros e contos, mas ainda não tive a oportunidade. Uma das ex-colaboradoras da página, a Paula, já teve alguns contos publicados em antologias, mas não acompanhei o processo de publicação de perto. Para quem tem curiosidade a respeito, vários autores nacionais mais recentes falam a respeito em sites, podcasts e entrevistas.


Pedro Ferreira Soto: Como descobriu o mundo das fanfictions? Por que começou a ler/escrever?
Descobri as fanfics numa comunidade do Orkut em 2005/2006 (não lembro exatamente o ano) e comecei a procurar mais sobre elas. Algum tempo depois, descobri o Nyah (em 2007) e me tornei leitora por sempre ter sido o tipo de pessoa que pensava em finais alternativos pros livros que lia.
Com as fanfics, esse meu lado mais imaginativo encontrou pessoas com ideias semelhantes e de leitora me tornei escritora por ter começado a desenvolver minhas próprias ideias. No começo, não tinha muitas ambições, mas conforme meu nível de escrita foi melhorando um pouco, alguns leitores deram a ideia dos livros e da publicação, então comecei a levar a escrita mais a sério e procurar evoluir.


Rayane Dourado: Gêneros literários que a equipe mais gosta? E os que mais odeiam?
Acho que já passou gente por aqui fã e hater de todos os estilos. Bom, já falei dos gêneros que curtia noutra resposta, então vou falar aqui os que menos gosto: Comédias mais non-sense, romances doces demais, fics de talk-show e M-Preg.


Ana Luísa Coelho: Como funciona o vosso processo criativo quando vão escrever uma história? Planeiam tudo até ao último detalhe, têm uma ideia solta e vão escrevendo e ver onde vai dar, é um misto dos dois...?
Quais são os vossos conselhos, baseados na vossa experiência, para se conseguir levar uma história até ao fim?
Qual é a vossa opinião sobre clichés? Quais são os clichés que mais vêem em fics de certos géneros?
Quando eu comecei a escrever, nem sabia o que era plot. Escrevia o que me vinha pela cabeça e o resultado é que hoje não mostro minha primeira fic nem sob tortura HAHAHA. Com o tempo que fui aprendendo o que era um planejamento de história e a importância de se ter um. Até mesmo minha forma de planejar foi evoluindo com o passar dos anos, passando de mero resumo de cada capítulo a planejamentos cada vez mais precisos e detalhados. Geralmente tenho a ideia e procuro desenvolvê-la, começando o planejamento do enredo e as fichas dos personagens. Mas algumas vezes a vontade de escrever é gigante, então vou escrevendo esses capítulos já planejados e continuando o plot enquanto escrevo. Na verdade, meu processo criativo não tem um método. Já escrevi uma cena só porque ela me perturbava demais e engavetei, pra anos depois ela se tornar um projeto de livro com pelo menos 250 páginas.
Para levar uma história até o fim, acho que ter um bom plot, apesar de não ser garantia, ajuda bastante, bem como se cercar de livros, filmes, seriados, fanfics e músicas que tenham a ver com a temática da história. Acho que concentração é a palavra certa, não inspiração. Então não adianta esperar a ideia cair do céu, às vezes é preciso ir lá buscá-la. Então ver, ler e ouvir coisas que nos mantenham no clima da história é fundamental e fará com que as ideias venham com mais facilidade. Se for possível, escrever todos os dias, nem que seja alguns parágrafos pode ajudar. No começo, talvez não fique bom, mas é só ir melhorando. Se ainda assim houver bloqueio, não é bom forçar. Eu geralmente tiro alguns dias de folga, uma semana ou duas para fazer outras coisas, e só depois volto a trabalhar na história. É bom pra dar uma nova perspectiva ao que se escreveu. Tem algumas ideias que também não funcionam, mas sempre guardo pra usar noutra história e nunca deleto nada. Meu computador está lotado de cenas assim.
Por último, não acho que os clichês sejam ruins sozinhos. Quase todas as ideias que temos são clichês. O segredo é procurar conduzir essa ideia de forma que o final, como o problema vai se resolver, não seja tão óbvio, procurar estratégias para surpreender o leitor e mantê-lo interessado, o que pode variar de estilo para estilo, de gênero para gênero. Também é importante que o autor não lance mão de vários clichês conhecidos numa mesma história, pois fica mais difícil criar esse fator surpresa. Apesar disso, alguns clichês já estão tão batidos que (acho) não deviam mais ser usados porque podem estragar o enredo. O herói perfeitinho contra o vilão super-maldoso, a mocinha sem graça e muito insegura que na verdade é bem bonita e não se vê assim, mas se apaixona e conquista o mais gato da escola, a pessoa que passa a história inteira se ferrando e no final tudo dá certo... Equilíbrio é sempre bom. Ninguém é somente bom ou mau, ninguém só se dá bem ou só se mete em problemas o tempo todo, além de que personagens inseguros demais costumam ser chatos, então é sempre bom equilibrar defeitos e virtudes, altos e baixos. Em quase todos esses clichês, nós já sabemos como tudo termina e isso não tem graça nenhuma.


Caroline Albuquerque: O que te faz largar uma história, quando você decide dar uma chance?

Justamente aquela questão da história não prender. A qualidade do enredo e dos personagens é determinante. Geralmente dou chances pra escritores com alguns erros meio bobos, sejam de português ou no lado mais criativo da história, mas se o enredo não é bom e envolvente, pode ser uma pessoa com uma escrita impecável do ponto de vista ortográfico/gramatical que eu não consigo levar a leitura até o fim.




Para as próximas entrevistas, vocês podem sugerir autores, leitores, etc. e nós iremos até eles. Quem tiver ideias sobre outras sessões e quiser compartilhar, fique à vontade.
Beijos e até a próxima :D

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