[CONVIDADOS] 10 reflexões que toda ficwriter e suas leitoras deveriam fazer

sábado, janeiro 31, 2015



E aí, gente bonita!
Bom, tive contato com o universo das fanfics pela primeira vez em 2010, em grupos e fóruns de música asiática, o que me levou a encontrar o site de interativas voltado para o K-pop, o lollipopfics. Encontrá-las foi crucial para a minha entrada no curso de Jornalismo e, nesses cinco anos em que não as larguei, pude encontrar (e fazer também, né, quem nunca) certas coisas que ao longo do tempo tornaram-se monótonas e de certa forma, incômodas para nós, leitoras. Sendo assim, aqui vão dez coisinhas chatas que todo mundo já cometeu uma vez na vida e não aguenta mais encontrar por aí. (Peço, com todo carinho, que não me batam até o fim do post, obrigada! ♥)

1 – Não fique só no romance.
A vida não é um mar de rosas, até porque esse tipo de flor não dá em água salgada. Por mais maravilhoso e suspirante que seja, não deixe que o romance tome conta da sua vida. Permita-se ler e escrever outros tipos, perceba o quão gratificante é se arriscar em outro gênero mesmo que não seja muito certeiro de início. É certo que nós lemos na espera de que aquilo nos preencha de alguma forma, mas não dê a entender que o faz apenas para suprir suas próprias carências.

2 – Sexo não deixa a história melhor.
O mundo da fanfic chegou numa fase em que sua estória só é lida caso contenha cenas de sexo. Cada vez mais as livres são consideradas fluffys ou sem conteúdo. E o que seria, de fato, esse conteúdo? Não importa o quão boa a ideia inicial da fic seja, se sexo explícito não estiver presente significa que ela não é boa? É claro que existem as restritas com ótimo plot¹ e o sexo não sendo a principal base. Mas muitas das que eu já li – inclusive, famosas dentre as páginas no facebook – não acrescentam em nada a não ser em algum tipo de posição. Sinceramente, por mais grotesco que possa parecer, a fanfiction chegou ao que se chama de literatura erótica e rapidamente se tornou em uma escrita pornográfica.

3 – Aposte na fantasia.
Parece que depois que crescem, as pessoas são obrigadas a mudarem seus gêneros preferidos. Meninas, principalmente. Nós não podemos mais gostar de histórias tachadas infantis, porque agora somos “mulheres” e precisamos ler aquilo que mulheres leem. Pfff, pura idiotice. Já fui extremamente zoada por ter Desventuras Em Série como meu favorito. Mas... o que há de tão errado em gostar de mistérios, cisões, três órfãos desventurados e um vilão pérfido? Eu te digo: nada. Como fã que sou, diria que a saga merecia uma atenção muito maior do que lhe foi dada. Enfim, a fantasia está cada vez mais escassa no universo das fanfictions. Por mais fãs de irreal como Harry Potter e Percy Jackson que sejam as autoras, não há um público interessado em plots como esse. E assim, os sites de fics ficam cada vez mais abarrotados de... romance.

4 – Esqueça a vida rockstar.
Falando sério.... já deu. Tudo bem que cantores/bandas e atores como personagens estão tendo cada vez mais destaque, porém colocá-los famosos em todas as histórias cansa, né? Acredito que se possa usar apenas a imagem do preferido em questão, não necessariamente sendo quem ele realmente é na sociedade. Mesmo que seja feito de fã para fã e por mais talentoso naquilo que faz o seu ídolo seja, uma variada não mata ninguém. Não há problema nenhum em Ben Barnes ser um cortador de grama (E que cortador de grama).

5 – P.O.V masculino não significa P.O.V dos palavrões.
“Caralho! Que porra você fez nessa merda, seu filho da puta?”. Pra quê, né? Palavrões são usados por todos os tipos de pessoas, não só pelos garotos ou jovens. Seu pai vive soltando uns e até seu professor de física já usou o mais comum deles em alguma questão mal interpretada. Se quiser um texto mais atual, informal e ainda mais próximo da realidade, alguns soltos vez ou outra não faz mal algum, mas o uso repetitivo não vai tornar seu personagem mais másculo.

6 – Muita enrolação = ZzZZzZz
Não que eu tenha nada contra textos longos (só uma leve preguiça para escrever), porém uma estória com trinta e cinco capítulos e oitenta e cinco por cento serem só brigas e discussões, gritaria, e o casal (porque né, romance domina) ficando junto nos últimos segundos da prorrogação do jogo decisivo da libertadores... não dá, né? Eu sei que uma adrenalina é bom de vez em quando, mas tentem não exagerar nessa enrolação. Particularmente gosto sim de uma estória com aquelas briguinhas bem bobas, mas sem exageros. Não vamos colocar o casal discutindo porque ela quer sair de rosa e ele quer usar uma camisa azul e fazer eles terminarem por isso.

7 – P.O.V do cansaço.
Olha, ponto de vista pra mim é um grande problema. Não vejo muita necessidade para mudança de narrador, ainda mais com tanta frequência. Eu sei que é complicado, já que o narrador personagem é o melhor em expressar sentimentos e tudo mais. Entretanto, creio que seja melhor optar pelo narrador-observador ou até mesmo o onisciente, que permite ir mais a fundo nos pensamentos do personagem, como a narração em primeira pessoa. Porque sinceramente, eu me sinto cansada com tantas trocas de pontos de vista, muitas das vezes até me perco. Cheguei a ler uma que aconteceram oito trocas de narrador em um único capítulo! É aquela coisa: Você quer usar determinada coisa, usa, mas não abusa.

8 – Drama não é só Romeu e Julieta.
Uma mãe que perdeu um filho, uma criança que não encontra a roupa da boneca, um cara que tá sem emprego ... tudo é drama, gente. Eu ‘tô cansada de ir procurar estórias nesse gênero e só encontrar gente em depressão porque a garota morreu, marido alcoolizado porque foi chifrado. A gente se livra de Manoel Carlos mas Manoel Carlos não sai da gente, porque olha. Particularmente acho que não há problema nenhum em dramas de verdade. Na real, sempre quis escrever sobre pessoas sobrevivendo a segunda guerra ou coisas do gênero. Mas não dá dinheiro escrever esse gênero. O mercado hoje só aceita romance, só aceita se você fizer um casal fodástico e matar um deles no final da fiction.

9 – Cuidado com as gafes.
O erro mais épico que eu já vi em toda minha curta vida de 19 anos quase 20 foi o seguinte: A estória se passava na época da renascença e a personagem principal tinha um computador. Desculpem a palavra, mas caralho! Pelo amor de Deus, vamos usar uma ferramenta muito digna e importante chamada: Google. É muito bom quando se tem ideias e exclusivas para plot, mas é melhor ainda dar uma pesquisada, ir atrás da galera que entende pra não passar por uma vergonha dessa ou coisa parecida. Eu lembro que quando escrevi "O carinha do call center" há séculos e séculos atrás na minha época de noob², eu contei com a ajuda de Priscila que até então era só minha beta-revisadora. Ela já tinha trabalhado como atendente de telemarketing e me deu uns toques para a fiction ficar decente e sem buraco. Então gente, pesquisar nunca é demais. Procurar gente da área, experiente e tudo mais para sua estória ficar ainda mais original.

10 – Comentário que seja comentário.
Esse é um especial para as leitoras e acho que todas já estão cansadas de ouvir isso, mas falaremos novamente. Engraçado que na hora de cobrar capítulo, surgem leitoras de todas as partes desse mundo. A gente tenta, passa por cima das obrigações, revisa a tempo, manda a fic no último minuto pra atualização e no final: recebemos quatro ou cinco comentários. E desses, alguns são simples “Que legal, agora continua *-*”. Ou então, como na minha época de novata no lollipopfics que já cheguei no meio de uma confusão, comentários maldosos apenas com“que lixo”. Poxa, gente. Se gostou, comenta aquilo que gostou com detalhes, dando ênfase nas partes importantes para que a autora se sinta feliz e faça de novo das próximas vezes. Se não gostou separa as coisas que você julgou desnecessárias e manda de modo educado para que a autora analise se sua sugestão é boa e tome mais cuidado da próxima vez. Dá trabalho? Dá, lógico que dá. Mas pensem no trabalho que nós também tivemos em organizar tudo a tempo para fazer vocês leitoras felizes. É de extrema importância que tenha esse feedback, e mais pra frente será uma felicidade dupla: Da autora por ter crescido em sua escrita, e sua por ter acompanhado e ajudado nesse crescimento.

¹: Ideia geral da estória, o assunto que a fiction aborda de modo mais generalizado.
²: Calouro, desinformado. Ainda começando em determinada área; Gíria usada em jogos online.

E aí, vocês concordam? Discordam? Acrescentariam mais alguma coisa?





Thiarlley Valadares. Estudante do 5º período de Jornalismo, estagiária de assessoria, escritora de fanfictions e péssima dançarina nas horas vagas! Apaixonada por cupcakes, viciada em leite condensado e fã de Desventuras Em Série. Preguiçosa para seriados, narcisista ocasional, detesta café - mas se vê obrigada a tomar - e muito, muito gorda em relação a doces.
Blog: http://just-runningaway.blogspot.com.br/
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