[RESENHA] Gargântua e Pantagruel

sexta-feira, fevereiro 20, 2015
Olá, beberrões insaciáveis, hoje vou falar dessa história tão verídica, chamada Gargântua e Pantagruel. Escrito por François Rabelais, um escritor, médico e padre francês. Foi um conjunto de cinco livros que ele publicou a partir de 1532 sob o pseudônimo de Alcofribas Nasier, embora só tenha escrito o começo do último e outros escritores tenham terminado a obra a partir de suas ideias. A própria vida de Rabelais já daria um excelente livro, mas não vou focar nela, se alguém quiser saber, é só dar uma googlada.
Os livros narram a vida de dois gigantes, Gargântua e seu filho Pantagruel. Eles são alguns dos primeiros livros "politicamente incorretos" da história, onde as histórias narradas estão sempre criticando os costumes e habitantes da época. Muitas dessas críticas são destinadas a pessoas ou costumes específicos, por isso muitos podem passar batidos para leitores do século XXI, mas em compensação, a maioria são explicados para um melhor entendimento.
O humor ácido de Rabelais é um marco para sua época, onde no lugar de fazer críticas subjetivas, ele enfiava logo o dedo na ferida, citando as vezes até o nome de quem está sendo atingido por seu discurso. Sua ousadia chega a tão ponto que, enquanto suas obras estão sendo perseguidas e acusadas de serem hereges, em um de seus prólogos ele pede desculpas se ofendeu alguém, diz que muito do que é considerado heresia foi erro de impressão, como quando a palavra alma (asmas) é substituída por asno (asne). Mas, no meio de suas desculpas, aconselha quem o censura a se enforcar, sugerindo ainda a árvore e dizendo que ele mesmo irá custear as cordas.
Algumas cenas são realmente geniais, como a criação da Abadia de Thélemites, onde os clérigos são cultos e belos, ou a partida de xadrez que é descrita na forma de baile, com as pessoas fantasiadas se movendo ao compasso da música tocada, mas outras são irritantes e extremamente longas, como quando Panurgio, um dos personagens, passa umas duzentas páginas tentando decidir se deveria ou não se casar.
Claro que, como o livro possui o foco em suas críticas, ele peca em alguns pontos literários, Gargântua e Pantagruel não possuem nenhum carisma, não possuem personalidade ou objetivos, estão ali apenas para pregar a mensagem de Rabelais, assim nos divertimos muito mais com os personagens secundários, como o corajoso Frei Jean e o não tão corajoso Panurgio. O livro não tem estrutura, apenas seguindo os personagens enquanto envelhecem. Também não há verossimilhança, ao ponto de que, no meio de uma tempestade em mar aberto, ou em uma batalha que está para iniciar, os personagens param para filosofar sobre assuntos diversos, distantes do que está acontecendo.
Mas mesmo tendo seus pecados, o livro vale a pena de ser lido, principalmente por seu teor crítico, que nos mostra a realidade do mundo no inicio do Renascentismo.
O meu livro foi publicado pela Editora Italiana e contém o interior mais belo, com folhas grossas, um estilo de letra belíssimo e centenas de imagens que mostram cenas dos livros. Ele me custou R$ 110,00 e tem 944 páginas


Meu nome é Victor Hugo de Oliveira Rezende. Tenho 20 anos. Faço faculdade de Direito e gosto de ruivas (naturais). Escrevo desde o ano em que fui alfabetizado (fiz um conto sobre uma bruxa, a diretora chamou meus pais preocupada comigo, foi engraçado). Mas aos 14 anos comecei a levar a sério e comecei meu primeiro, que só terminei há alguns dias.

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