Guia Prático de Como Fazer uma Boa Fanfiction: Prosa x Script

sábado, março 07, 2015




Quando você escolhe fazer uma fanfic e decide todos os detalhes, como personagens, enredo, sinopse e título, você deve escolher a forma como vai narrar seu texto. Existem dois tipos mais comuns, prosa e script (ou roteiro).
Prosa é a narrativa “normal”, a usada na maioria dos livros, fanfics, originais e e-books. O texto desse estilo está dividido, em geral, em "narração", “descrição” e "diálogos". Narração é o decorrer das ações dos personagens, descrição é escrever a aparência deles [características físicas ou psicológicas] ou como são os ambientes, objetos, etc... Diálogos são, como todos nós sabemos, a conversa entre dois ou mais personagens ou, em alguns casos, de um personagem consigo mesmo — nesse caso, recebe o nome de monólogo.
Didaticamente, narração e descrição são estudadas separadamente, mas na prática, os textos literários sempre mesclam descrições e narrações. É importante saber que não existe um “texto puro”, ou seja, de uma única tipologia, fora do campo didático. É assim com os livros, e-book e também com as fanfics e seus numerosos gêneros: teoricamente, existem as divisões, mas na prática, quando estamos escrevendo, acabamos misturando vários gêneros e conceitos diferentes sem se sequer nos dar conta. Para exemplificar, vamos a “Katharine” novamente.
                                                                                                               

Prosa – Narração (exemplo: Katharine)

— Falando sozinha, meu anjo? — e beijou suas costas. Ao ver sobre o que falava o jornal, continuou: — Você e seu péssimo hábito de sempre procurar saber quem são suas vítimas.
— Eu simplesmente gosto de saber por que você me manda assassiná-las — ela disse, virando-se de frente e encarando os olhos verdes provocantes de Julian.


Agora veremos o mesmo trecho no estilo script:

INT – Sala da Casa de Julian – Manhã
Katharine está parada em frente a uma mesa de centro. Ela pega o jornal que está em cima dela e lê, baixinho, a manchete. Julian chega por trás e a abraça, dando um beijo em suas costas.

JULIAN
Falando sozinha, meu anjo? (olha para a manchete). Você e seu péssimo hábito de sempre procurar saber quem são suas vítimas.

KATHARINE
Eu simplesmente gosto de saber por que você me manda assassiná-las (vira-se para olhá-lo de frente).



Existem outras variações. Alguns roteiros colocam em letras maiúsculas os nomes dos personagens na primeira vez que aparecem no roteiro ou na cena, as palavras ENTRA e SAI (indicando que determinado personagem está entrando ou saindo de cena) bem como sons e objetos importantes na cena. Outros colocam os diálogos de forma diferente, tudo na mesma linha: “Nome do personagem: (Ação do personagem) Fala do personagem.”
Também existem scripts de vários tipos: os teatrais, os cinematográficos, os feitos para seriados de TV, também vai depender do gênero e do que ele quer passar para o público. Sabendo disso, é importante ressaltar que o roteiro tem suas particularidades, é feito para um formato diferente e com outro objetivo, então não escreva sua história em roteiro apenas por preguiça de fazê-la em prosa comum.
Aliás, por mais cansativo que seja o trabalho de escrever bem, procure abolir a preguiça de seu cotidiano. Não sinta preguiça nenhuma de pesquisar, de se informar, de revisar, reescrever, ler etc. quantas vezes forem necessárias. Também procure levar seu próprio tempo, não se apresse apenas para postar logo ou postar todos os dias. A pressa é inimiga da perfeição e o tempo é seu aliado. Use-o como for melhor para você.
É interessante lembrar, também, que se optar pelo script, é preciso estar atento e dominar os termos específicos do estilo de roteiro que você está usando, além de separar bem o que é fala do que é ação, pensamento e/ou flashback para não confundir os leitores.
Independentemente de sua história ser um roteiro ou uma prosa, lembre-se de que emoticons aqui são completamente desnecessários, bem como links para objetos, imóveis, carros, aparências, etc. O ideal é sempre descrever as cenas, as emoções do personagem, os lugares utilizados, entre outros. Se quiser usar imagens, use-as como um suporte, um “algo a mais”, não como forma de substituir as descrições. No começo parece algo difícil, mas com prática algumas dificuldades vão sendo superadas.


  Diferente do script, na prosa podemos ver que a narrativa corre solta, sem quebras, estas feitas apenas nos diálogos. Na narração, temos quatro tipos: (ainda usando como exemplo “Katharine”).

- Descrição:
Era um lindo sobrado de três andares, janelas grandes em forma de arco, algumas abertas com o vento batendo nas cortinas vermelhas, uns quatro ou três batentes na porta, e algumas luzes acesas denunciavam a presença de outras pessoas na casa.

Nesse caso, temos a descrição de um ambiente, mas também podemos descrever, objetos, as características físicas/psicológicas dos personagens, etc. No entanto, para não tornar a descrição uma parte maçante, descreva apenas o que tiver importância dentro do enredo. A roupa que uma personagem usa é importante? Um objeto presente no cenário é importante? Descreva. Nada disso fará diferença na cena? Mencione por alto, sem detalhar.
A descrição é uma parte difícil por nunca sabermos se está demais ou ainda falta alguma coisa, portanto, precisamos treinar sempre. Um exercício muito importante é pegar uma foto qualquer no seu álbum de fotos, computador ou qualquer uma da internet e tentar descrever com o máximo de detalhes possível num documento à parte e, em seguida, entregar a descrição para algum amigo ou o beta-reader ler e dizer o que imaginou.
Só depois entregue a foto e pergunte “Dá pra imaginar pela descrição que esse lugar/objeto é dessa forma?”. Então gradualmente você vai cortando partes desnecessárias e tentando aproximar cada vez mais a descrição da imagem.

- Ação:
Kate caminhou vagarosamente e sem ser vista até a soleira da porta. (...) Apoiando os pés nas grades da janela, foi escalando devagar e com cuidado até chegar a uma janela, percebeu estar num quarto feminino.

A ação já é mais fácil. É, como o nome já indica, a ação dos personagens na cena. Como eu disse antes, didaticamente separamos ação e descrição, mas na prática a ação na narrativa nada mais é que a descrição das ações desses personagens. O trecho “Fulano subiu as escadas correndo e ficou cansado” é a descrição das ações que esse Fulano realizou na cena mencionada.

- Pensamento:
Uma boa assassina sempre espera a hora certa...”, pensou ela com um sorrisinho cínico no canto dos lábios.

Como o nome já sugere, o pensamento é o que os personagens estão pensando na cena e costuma ficar apenas entre esse personagem e o leitor. Geralmente, aparece entre aspas, mas também pode vir em itálico ou negrito, não importa muito desde que você coloque uma formatação diferente para que o pensamento não se confunda com o diálogo ou mesmo a descrição/ação na cena.

- Emoção:
Engraçado como, por dentro, Kate era sempre tão dividida. Parte de si desejou sair dali correndo, mas outra parte desejou levar aquele crime até o fim. Era como se metade dela fosse caridosa, que detesta ver sangue e lágrimas, e outra metade sádica, que adorava ver as pessoas sofrerem.

A emoção nada mais é que os sentimentos dos personagens com o decorrer da cena, tudo aquilo que mexe com esses sentimentos de alguma forma. Pode ser uma emoção boa, ruim, incômoda, empolgante, etc.


A “atividade” de hoje será simplesmente de observação. Volte a alguma de suas histórias e analise-as. Em todas elas aparecem esses quatro elementos estudados hoje, caso ela seja uma prosa? Se sim, eles estão bem separados? O leitor consegue perceber facilmente onde começa e termina cada um deles?
E se for um roteiro, está suficientemente claro para o leitor o que é a ação/descrição e o diálogo? O script está fácil de compreender? Alguma parte precisa ser melhorada a fim de torná-lo mais claro?
Por hoje é só, até a próxima.

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