[RESENHA] Para Sempre

sexta-feira, abril 24, 2015




Sinopse (Retirada do site oficial): Depois de perder toda a família em um acidente de automóvel, do qual inexplicavelmente escapou, Ever Bloom tem sua vida transformada por completo. Ela muda de cidade, de escola, de amigos, e precisa aprender a conviver com uma realidade atordoante: Após o acidente, Ever adquiriu dons especiais. Ela enxerga a aura das outras pessoas, ouve seus pensamentos, e com um simples toque pode conhecer a vida toda de alguém. É angustiante. Tudo, porém, parece cessar quando Damen se aproxima. Só ele consegue calar as vozes que a perturbam tão intensamente. Mas ela não faz ideia de quem ou o quê Damen realmente é. Só tem certeza de estar cada vez mais envolvida… apaixonada.





Confesso que esse não é o tipo de livro que leio normalmente. Não por preconceito a bestsellers e blábláblá. Mas se leio uma sinopse e vejo que que o foco é um relacionamento onde um personagem tem dependência de outro, me desinteresso. Mas não é porque não gosto de histórias românticas, e sim por uma filosofia pessoal. Penso que ninguém deve se completar em outra pessoa, mas evoluir, buscar completar a si mesmo para então seu companheiro(a) ser um plus, alguém de que ela não dependa, mas que é um bônus para tornar sua vida ainda melhor. Mas claro, existem pessoas muito carentes e que buscam se completar em outras pessoas, por isso se for algo bem construído, poderia me interessar.
O único motivo de tê-lo lido é por sua temática. Estou pesquisando pra um livro que vou escrever, e preciso ler o máximo de coisas que abordam imortalidade. Mas chega de papo furado e vamos logo para a resenha.
Escrito por Alyson Noel, esse parece ter sido seu primeiro livro de sucesso, já que não observei obras mais antigas em lugar algum. No livro a personagem principal é Ever Bloom, um clichê americano, loira, bela, superficial, líder de torcida, com um namorado superficial e, embora não maltratasse os “excluídos”, não ligava muito para eles. Mas sua vida muda após um acidente de carro que mata seus pais, sua irmã Riley e o cachorro Buttercup.
Enquanto está no hospital, ela descobre que adquiriu poderes mediúnicos, consegue ler pensamentos, enxergar auras e saber tudo sobre as pessoas apenas tocando nelas. Após se recuperar, ela se muda para a casa de uma tia rica chamada Sabine. Na casa nova ela também conversa com o espírito de sua irmã, que gera cenas muito engraçadas. Ela também vai pra nova escola e muda totalmente o visual, colocando jeans largos, moletons, óculos escuros e fones de ouvido para tentar minimizar seus poderes, que ela ainda não pode controlar.
Todos a consideram bizarra por aquele look, menos seus dois únicos amigos, Miles (o clichê de homossexual engraçado) e Haven, uma garota carente que se veste de gótica e vai a grupos de autoajuda apenas para ter um pouco de atenção.
Ela continua nessa vida que considera um inferno até que, quem diria, um aluno misterioso surge na escola e todas as garotas se apaixonam (quem for esperto já sabe onde a história vai chegar). Seu nome é Damen, um moreno alto, bonito e sensual, que talvez seja a solução de seus problemas.
Ever se apaixona à primeira vista. E após ela emprestar um livro para ele, papo vai, papo vem, ela fica com o Damen em uma festa. Eles ficam mais algumas vezes, mas alguns mistérios a deixam intrigada, como o fato de que perto dele sua mediunidade desaparece, o surgimento de uma garota chamada Drina (Ruiva, alta, bonita e sensual…) que ela descobre ser a ex do Damen. E outras cositas mais, como seu incrível talento para pintura e as várias ilusões que ele faz, como as tulipas, que ele faz aparecer nos lugares mais inusitados (tem momentos que parece que elas vão sair até da bunda dela).
Depois de algumas coisas que não estou com paciência para contar, Ever fica #putsrevoltz com Damen e eles se separam por um tempo. Ela então, numa certa noite, guiada por uma estranha sensação (sem comentários…), pega o carro, vai pro meio do mato e lá se depara com Drina.
A ruiva, que até então nunca havia falado, abre a matraca que é uma beleza, falando horas e horas e sem parar. Resumindo, ela diz que o Damen é só dela, mas ele sempre se apaixona por Ever. Várias vezes ela matou a garota, mas Ever sempre reencarna e o ciclo continua.
Drina, como o mais comum dos vilões, decide brincar com Ever de gato e rato, deixando-a correr só para surgir do nada e atacá-la. E claro, nesse meio tempo ela vai falando, e falando e falando… Ela esclarece de uma vez por toda que ela e Damen são imortais (a prova foi uma pedrada que a Ever deu nela e a ferida regenerou) e conta que praticamente tudo que ocorreu no livro foi causado por ela, no jogo de manipulação mais escroto que já vi, o acidente de carro, um relacionamento frustrado da tia dela, se brincar até uma vez que a Ever tropeçou e ralou o joelho 10 anos atrás foi causado por ela.
Acho que já enchi linguiça de mais, então vou acelerar aqui. Como era de se esperar, Damen salva ela, diz a ela que salvou a vida dela no acidente de carro e a transformou em uma imortal. Então Drina ataca de novo, mas agora que Ever sabe que é uma imortal, também cria uma superforça, mas mesmo assim Damen precisa aparecer para salvá-la de novo. Drina tem uma das mortes mais escrotas do mundo e o casal fica junto no final.
Eu poderia fazer uma crítica bem mais elaborada dos inúmeros erros que vi nessa história, mas são tantos e aqui no meu arquivo já foi quase duas páginas de texto. Então vou falar alguns mais marcantes. Os personagens principais, principalmente os imortais, possuem pouco carisma e suas ações não fazem muito sentido. A própria Ever faz o estilo personagem sem sal que já estamos acostumados em certas histórias por aí, carente, dependente, etc, etc. O enredo, embora a autora tenha tentado inovar com a mitologia de imortais, ainda é semelhante a essas histórias modernas de vampiros, principalmente crepúsculo (digo pelos filmes, não li os livros).
Por fim, nessa tentativa de criar algo original, parece que ela pegou um monte de mitologias, bateu no liquidificador, e saiu uma pasta pegajosa, sem gosto e com cheiro estranho. Ela usa um mix de teorias para explicar o Damen, dizendo que ele, ainda adolescente, terminou uma pesquisa de seu pai, que era alquimista, criou uma espécie de pedra filosofal e, como se não fosse o bastante, ainda estudou várias filosofias orientais, se tornando uma espécie de bodhisattva. Ah, e antes que eu me esqueça, sabe os grandes artistas que existiram no mundo, Shakespeare,van Gogh, etc. Pois é, eles não existiram, foi Damen, usando o nome deles para demonstrar seu incrível talento. E o melhor ainda, mesmo Ever não tendo estudado e se preparado para nada disso, ela já conseguiu todos os dons físicos e espirituais, uma “entrada pelos bastidores”, como o Damen diz. Puta que pariu, ele explica suas ilusões dizendo que é física quântica, que ele transforma energia em matéria.
A linguagem, embora não seja necessariamente ruim, me incomodou, mas não posso dizer se a culpa é da autora, já que o livro é traduzido. Mas tudo sempre é descrito no presente, algo no estilo “Eu ando até a cozinha, pego a cadeira, me sento, pego o prato. Levo a colher até a boca e mastigo.”, e isso sempre me causava uma coceirinha no meu cérebro.
Enfim, para não dizer que fui de todo mal, vou dizer o que gostei no livro. Os personagens secundários, Miles, Haven,Riley e a tia, ficaram excelentes, eles sim ficaram naturais e possuem verossimilhança.O que acaba gerando a dúvida do porque a autora não conseguiu transmitir isso para os principais.
A capa também é muito bela. Comprei toda a saga, porque querendo ou não, para o próximo livro que vou escrever vou precisar ler toda ela, e os seis livros ficaram realmente belos na minha estante.
É isso ae, me desculpem se a resenha ficou um pouco confusa, porque eu li o livro quase todo em um dia, parei no primeiro confronto da Ever e da Drina e fiquei tão grilado com a cena, que demorei quase um mês para criar coragem e continuar, então acabei esquecendo alguns detalhes. Mas podem acreditar que tem muita merda no ventilador, mas esse texto ia ficar muito longo.
O livro possui 261 páginas e toda a série é publicada pela Intrínseca. Talvez na próxima resenha eu fale do segundo livro da série ou algum outro que vier pelo caminho. E para vocês que bravamente leram até aqui, peço que, se souberem de outros livros que também falam sobre imortalidade, ou que possuem personagens imortais, deixem nos comentários. Este um agradece.



Meu nome é Victor Hugo de Oliveira Rezende. Tenho 20 anos. Faço faculdade de Direito e gosto de ruivas (naturais). Escrevo desde o ano em que fui alfabetizado (fiz um conto sobre uma bruxa, a diretora chamou meus pais preocupada comigo, foi engraçado). Mas aos 14 anos comecei a levar a sério e comecei meu primeiro, que só terminei há alguns dias.

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