Melhores Dicas de Escrita de Grandes Autores - Parte 2

domingo, julho 19, 2015

Os posts atrasam, mas sempre vêm.
Sem conversa fiada hoje, vamos diretamente à continuação do post da semana passada. Com vocês, mais dicas de escritas de quem realmente sabe o que está dizendo. Enjoy.

6) Pense sobre suas cenas e personagens:
Como nós sabemos, as histórias precisam ter uma razão de ser e os personagens, de um objetivo. Antes de começar cada história, é interessante que o autor já tenha pensado em tudo isso. Já falamos aqui em outros posts da importância de planejar sua história, mas é algo tão fundamental que não custa bater de novo na tecla.
Nas palavras de Chuck Palahniuk: “Antes de sentar e escrever uma cena, pondere sobre ela em sua mente e saiba o propósito daquela cena. Para quais tramas anteriores esta cena vai ser vantajosa? O que isso criará para as cenas seguintes? Como esta cena levará seu enredo adiante? Conforme você trabalha, dirige, se exercita, tenha apenas esta questão em sua mente. Tome algumas notas conforme tiver ideias. E apenas quando você decidiu a ‘coluna vertebral’ daquela cena – então, sente e escreva-a. Não vá até aquele computador chato e empoeirado sem algo em mente. E não faça seu [personagem] se esforçar ao longo de uma cena na qual pouco ou nada acontece”.
Já sobre os objetivos dos personagens, todos eles precisam ter algo que os motive, que não só os mova pra frente, mas também contribuam em andar com a história. Como já dizia Kurt Vonnegut, “todo personagem deve querer alguma coisa, nem que seja só um copo de água.
Mas claro, preocupe-se também em passar os sentimentos e modos de ver o mundo daquele personagem da forma mais verdadeira que puder. Para Hemingway, escrever bem é escrever é escrever com sinceridade.


7) Não poupe ninguém, nem você:
Escrever tem ótimos momentos, como criar um universo, criar personagens críveis, divertir os leitores... Mas também tem as partes sofridas. Como por exemplo, ter que se livrar de personagens, cenas ou tramas que a gente aprendeu a gostar tanto ao longo do processo de escrita.
Vários autores falam sobre a importância desse desapego literário, mas selecionei minhas três citações preferidas. John Steinbeck já alertava “Cuidado com cenas que se tornam muito queridas para você, mais do que as outras”. Pode ser que elas se mostrem supérfluas, e você precisará retirá-las em algum momento. Então não se apegue.
Também não se apegue a personagens. Kurt Vonnegut já recomendava que os autores fossem sádicos e fizessem coisas terríveis acontecerem aos personagens se fosse necessário, não importando quão doces ou inocentes eles fossem. Stephen King é ainda mais drástico: “mate seus queridinhos, mesmo que isso destrua seu coraçãozinho egocêntrico”.
Desnecessário dizer que o Martin segue isso à risca e eu ainda preciso aprender muito com esses caras, não é?


8) Não escreva somente pensando no público:
Outra dica fundamental é não escrever apenas pensando no que os outros querem ler, em como conseguir leitores ou fazer sucesso. Menos ainda pensando no que os outros vão pensar de mal do seu texto ou que os outros irão criticar.
Simplesmente escreva.
Para John Steinbeck, o autor deve esquecer o público generalizado. “Em primeiro lugar, o público sem rosto e sem nome vai assustá-lo. Em segundo lugar, a menos que você esteja num teatro, ele não existe. Na escrita, o público é um único leitor. Eu descobri que às vezes ajuda escolher uma pessoa ― alguém que você conhece ou que imaginou ― e escrever para ela”.
Já para King e Palahniuk, o fundamental é você escrever para si mesmo, o que você deseja ler. Só então você deve se preocupar com os leitores.


9) Primeiro escreva, depois edite:
Essa é uma dica que sempre dou a quem me pergunta. Escreva. Coloque a ideia no papel. Depois você se preocupa com repetições, erros, clichês, etc. Ao fazer isso e respeitar seu fluxo de ideias, você tem menos chances de ter bloqueios e, em geral, termina de escrever mais rapidamente e de forma mais natural.
Mas como vocês não estão aqui para minhas dicas, fiquem com esse trecho excelente do John Steinbeck escreva o mais livre e rápido possível e coloque tudo no papel. Nunca corrija ou reescreva até que tenha terminado. Reescrever é um processo geralmente usado como desculpa para não seguir adiante”.
Stephen King, apesar de aconselhar energicamente o não uso de advérbios, ainda completa recomendando que você também não deve se preocupar exageradamente com a gramática perfeita, porque o objeto da escrita não é a correção gramatical, e sim contar uma história.
Por mais que a língua seja importante, não perca o foco: escreva primeiro. Procure um dicionário depois.


10) Escreva com alegria:
E por ultimo, mas não menos importante (pelo contrário), vem a que é outra de minhas dicas preferidas. Remonta ao conselho de escrever primeiro pensando no que você gostaria de ler e no que vai deixá-lo confortável.
Para ser um bom escritor, você precisa de fato gostar do que faz. É um trabalho árduo por si só, então precisamos nos lembrar do que nos deixa feliz em fazê-lo e seguir em frente com isso na cabeça. Ray Bradbury já dizia a seu público “eu quero que você inveje minha alegria”.
King também arremata dizendo que escrever não é sobre fazer sucesso, ficar rico, conseguir encontros ou fazer amigos. Menos ainda sobre fazer os outros felizes. É sobre ser feliz fazendo arte.
Mantenha isso em mente. Escreva muito e seja feliz.


E aí? Curtiram? Espero que tenham gostado e se motivado a continuar escrevendo.
Vejo vocês na próxima semana ;)

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