Dicas para Nomear Personagens

domingo, julho 17, 2016



Particularmente, sempre tive dificuldades com nomes.
Seja nomear histórias ou nomear personagens, tenho sempre a sensação de que escolhi algo brega e piegas. Pra vocês terem uma ideia, estou tentando criar um mundo para ambientar umas histórias, mas minha maior dificuldade não é em definir a mitologia, as bases da cultura de cada povo, ou criar algo que realmente seja vivo e pareça existir. Minha principal tristeza é criar lugares lindos e pessoas interessantes, mas não saber como chamar cada um deles.
Por mais que tenhamos sites com nomes de bebês, por exemplo, pra dar uma mãozinha na hora da escolha, sempre bate aquela dúvida: como saber qual das inúmeras combinações possíveis é a melhor? É uma dúvida que realmente assola muita gente, até eu, às vezes. Por isso fiz esse post. Está afim de descobrir que aspectos levar em consideração na hora de nomear essas pessoinhas que carregarão suas histórias nas costas? Então pega um suquinho e vamos começar.
Primeiramente, vou lhe dar dois sites que em 80% dos casos resolverão seus problemas. Essa é pra nunca mais você abrir tópico em grupo de Facebook perguntando "como devo nomear o personagem X?". Toma aí um pra nomes e um pra sobrenomes. Agora vai lá, pesquise os nomes que mais lhe agradam e boa sorte.
Agora, vamos as dicas. Antes de começar a pesquisar nomes, defina de onde seu personagem é. Onde a história se passa não é tão importante, pois ele pode ser um viajante, um estrangeiro, estranho em uma terra estranha. Se foque em saber de onde ele vem.
Há nomes que são específicos de determinados lugares, esses que só de olhar, já é possível dizer de onde a pessoa veio (como os sobrenomes finlandeses, quase todos terminados em –nen, ou os romenos, terminados quase que em sua totalidade com –scu). Outros, são usados em vários lugares e têm a mesma escrita, no máximo vai mudar a pronúncia (Daniel, Amanda, Gabriel... O meu também pode ser citado. Há várias Micheles espalhadas nesse mundão véio sem portera).
Aqui no Brasil, temos a vantagem de as pessoas colocarem nos filhos nomes que gostam e ponto, foda-se de onde eles vêm. Já topei com uma menininha chamada Hilary e estudei com um garoto chamado Richard. Sério.
Claro que não devemos abusar, pois ter todos os seus personagens com nomes que parecem muito mais estrangeiros que o normal é demais, mas não tem problema colocar um ou outro que seja. Só saber balancear. Para cada Jennifer que aparecer, coloque uma Mariana ou Cláudia para equilibrar.
Outra questão, ainda mais importante que essa, é a descendência. A não ser que seu personagem seja japonês ou descendente de japoneses, não é muito plausível ele ser o Fulano Suzuki ou ela não ter um pingo de sangue inglês/estadunidense nas veias e se chamar Beltrana Smith. Por isso, crie o background do seu personagem. Quem é a família dele? De que país eles vêm? Ou são nativos do país em que moram e não possuem estrangeiros nela? Leve em consideração tudo isso.
Outra coisa para valorizar é a sonoridade. Coloque o nome e o sobrenome escolhido e veja se soa bem. A combinação parece estranha? Os dois nomes juntos possuem pronúncias muito parecidas? Se achar que não combine, vá trocando sem medo até achar um par que funcione.
Se você, como eu, está se aventurando na fantasia (clássica ou não) e precisa de nomes totalmente originais pros seus personagens, existem vários geradores de nomes de fantasia na internet, ou você pode usar nomes antigos, que são raros de encontrar hoje em dia. Meu método preferido é sair brincando com sílabas e ver que nomes formam e observar como soam.
Mas aqui é importante ter cuidado com uma coisa: pronúncia. A não ser que seja intencional criar nomes indizíveis (como o Lovecraft com o Cthulhu), seus nomes precisam ser fáceis para o leitor pronunciar. Ou, ao menos, dar a ele a chance de falar algo que seja próximo à pronúncia correta. Excesso de letras também pode prejudicar. A não ser que seja algo próprio da língua do país ou reino que você criou ter determinados fonemas ou criar nomes de X jeito, pra quê dizer Scherynnayah quando podemos escrever Sherinaia e facilitar a vida do leitor (e até a sua própria, que vai demorar menos tempo contando quantos Ns e Ys tem o nome na hora de escrever)?
Por último, mas não menos importante, vejo muitos escritores que se preocupam excessivamente com a ligação entre o nome do personagem e sua personalidade — algo que eu, sinceramente, nunca observei. De novo, a não ser que seja intencional, não é necessário que o nome transmita exatamente qual o comportamento daquele personagem. Não existe isso de nome perfeito para alguém.
Quando nossos pais nos nomearam, eles podem ter tentado seguir esse critério e colocar um nome com um significado que refletisse o que eles desejavam que a gente fosse, mas quantos de nós não ficou surpreso ao descobrir o significado de nossos nomes e ficou surpreso ao ver que não tem nada a ver conosco, por mais bonito que seja?
Eu mesma me chamo Michele, que segundo o "Behind the Name" vem de Michael/Miguel e em tradução livre quer dizer "quem é igual a Deus?". Certamente, não sou eu, me considero agnóstica.
Percebeu o drama? Pior que isso, só se eu fosse homem, me chamasse Christian (cristão) e fosse ateu.
Por hoje é só, gente. Dicas, elogios, sugestões e críticas, só deixar nos comentários.

Um comentário:

  1. Boas dicas!
    Sempre que vejo alguém dizer por aí que é interessante que o nome do personagem combine com sua personalidade, fico pensando que na verdade foram os pais que escolheram o nome, e ainda em uma época em que não tinham como saber quem a pessoa seria. Dessa forma, seria muito mais interessante escolher um nome que corresponderia às expectativas dos pais. Isso poderia até gerar um conflito para a história, afinal, será que o personagem seguirá os caminhos esperados pelos pais?
    Quanto a nomes em livros de fantasia, antigamente misturava letras e sílabas e saía inventando palavras estranhas, mas depois comecei a pensar melhor nisso. Quando você lida com personagens de diversas localidades em uma mesma história, não é interessante que todos os nomes pareçam ter vindo do mesmo idioma. Não chego a criar idiomas, mas vou mais ou menos na linha "No país X temos Nariana e Miriane, então surge Kaladev, então acho que esse é um estrangeiro".
    Outra coisa que acho interessante são homônimos. Não é necessário exagerar, para não confundir o leitor, mas é algo que dá um toque a mais à história e a aproxima dos leitores. Afinal, deve ter muita gente se inspirando naquela rainha famosa para nomear os filhos.

    Abraço!

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