[DEGUSTAÇÃO] - Moonlight - Capítulo 1


Olá, pessoas. Atendendo a alguns pedidos nos meus posts do NaNo, resolvi postar o primeiro capítulo da fic que acabei agora em novembro aqui no blog pra matar a curiosidade de vocês. Quero lembrar apenas que esse trecho foi revisado por mim algumas vezes, mas não passou por um leitor-beta ainda, então é possível que erros bobos e repetições ainda apareçam.
A ideia original dessa história me surgiu em 2012, pouco depois que comecei a ver True Blood e era uma fanfic da série originalmente, mas logo eu tive umas ideias muito interessantes que não se encaixavam no universo criado pela Charlaine Harris, então dropei a história original e comecei uma do 0, com apenas alguns elementos semelhantes. Mas há coisas de várias outras histórias de vampiros que gosto ainda hoje ou gostava naquela época, como Vampire Diaries, Supernatural e muita coisa de RPG (na parte da hierarquia e organização de poder, principalmente). Óbvio que alguns desses elementos não vão ficar claros logo no primeiro capítulo, só um ou outro vocês podem pegar logo de cara, mas achei melhor já deixar o disclaimer.
Não faço ideia de quando a história completa estará online, porque ainda quero revisar de novo antes de mandar pra beta e Sangue Eterno precisa vir antes dela para facilitar o entendimento cronológico, mas como vocês que me acompanharam no NaNo já sabem, ela está demorando para sair. Mas não se preocupem que eu aviso aqui e na página quando isso acontecer.
A imagem do post é uma possível imagem de capa, mas não tem nada fechado ainda, e a música da epígrafe deu nome ao capítulo e me inspirou bastante para as alterações feitas nessa cena HAHAHAH Vocês podem ouvi-la clicando no hiperlink no nome dela. Antes que eu me esqueça, Alliance é uma cidade fictícia com um passado curioso que vocês descobrirão no decorrer da história, caso queiram lê-la completa. Originalmente, a criei apenas para essa história, mas gostei tanto dela que será utilizada em outras também. Na minha mente, ela fica no litoral norte da Califórnia, pouco acima de São Francisco, mas não é nada fechado ainda. Vocês serão avisados quando eu postar sobre qualquer alteração.
Também quero aproveitar o espaço para deixar um agradecimento especial a quatro pessoas que foram fundamentais para que essa história não se perdesse para sempre na minha pasta de fanfics inacabadas quando eu comecei a perceber que a ideia original não ia rolar. Um "muitíssimo obrigada, sua linda, essa bagaça não existiria sem você" para Lara, minha beta linda que sempre me ajuda a fazer melhor e me motiva a continuar escrevendo quando bate a autocrítica foda ; para Francine, por sempre ter me aturado quando eu começo a falar das minhas histórias e me dado sugestões valiosas para algumas partes do enredo, não apenas desse, como de outros textos ; e para Lívia e Camila, que leram quando ainda era fanfic, se não me engano, quando o nome ainda era "Vampire Heart", e ficaram animadas com a história, me pedindo por mais ♥♥. E também, quero aproveitar para estender os agradecimentos a todo mundo que se interessou pela ideia e que venha a gostar do texto . Mal posso esperar para tê-la toda online e ver as reações de vocês.
No mais, espero que gostem. Críticas construtivas (ou até destrutivas, vocês sabem que eu não ligo rs) e sugestões são sempre bem-vindas. Talvez algumas eu não possa seguir por causa do que planejei, mas prometo pensar com carinho sobre elas. O motivo da escolha do nome "Moonlight" será revelado bem mais lá na frente, mas eu também adoraria ouvir suas teorias a respeito.
Talvez eu poste algo da história nova que comecei também, mas só quando eu reescrever o começo por motivos de "tive uma ideia melhor pra começar dias depois e ainda nem sei que nome colocar". Vamos ver HAHAHAHA
Well... Aproveitem. Tá grande e pode estar ruim também, mas foi feito de coração :3



Capítulo 1 - Blue Monday

E eu ainda acho tão difícil dizer o que preciso dizer,
Mas tenho total certeza de que você vai me dizer
Exatamente como devo me sentir hoje

Alliance – Califórnia
4 de fevereiro de 2013


Rebecca parou o carro na entrada da casa noturna.
Sentada no banco do motorista, com as mãos ainda no volante, não se mexeu por alguns minutos. Seus olhos estavam presos na fachada enquanto ela remoía internamente seus medos.
Será que aquilo daria certo? Não seria perigoso demais se expor assim? Teria que se revelar em algum momento naquela noite, e ela se lembrou de que vários vampiros estariam ali dentro. Além disso, e se estivesse cometendo um erro em sair de casa? Em deixar sua família desguarnecida?
Pensar nas coisas que poderiam lhe acontecer naquele lugar fez um arrepio percorrer sua espinha. Sabia que iria entrar, mas não se conseguiria sair.
Fechou os olhos e passou a língua pelos lábios pintados de vermelho. As mãos caíram no colo e ela respirou fundo algumas vezes. Lentamente, recuperou o autocontrole. Era o único jeito, tentou se convencer. Ou faria aquilo ou teria um prejuízo ainda maior do que ficar de braços cruzados esperando uma tragédia acontecer.
Pareceu funcionar.
Ainda não tinha muita certeza de que tinha tomado a melhor escolha ao ir até ali, mas... Que escolha tinha? Pegou a bolsa no banco do passageiro e resolveu que era hora de entrar em ação. Fechou o veículo e seguiu em frente.
A entrada era toda pintada de preto, mas um letreiro em neon vermelho indicava que estava no destino correto. Dracula’s Bride.
Rebecca riu de leve. “Um nome bem apropriado”, pensou.
Perto das outras pessoas na fila, que estava um pouco maior do que ela havia imaginado, ela se sentia um pouco em evidência. Quase mundo optara pelo clichê: couro preto, correntes, botas de cano alto e as mulheres ainda haviam adicionado saltos bem altos e meias arrastão.
Mas ela resolvera ser mais simples e prática. Para não ficar tão diferente, tomara o cuidado de escolher uma calça jeans preta também, mas completara o visual com uma blusa branca de alças finas sem estampa, sapatos pretos, mas não muito altos, e uma bolsa pequena e delicada num tom claro de vermelho. Temia mostrar mais pele do que o necessário, mas se assegurou de que os longos cabelos ruivos estariam soltos e ocultariam a maior parte do pescoço, pelo menos.
Conforme se aproximava, mais firmes sentia que seus passos iam ficando e sua resolução também ficava mais forte. Sim, faria aquilo. Ia entrar e sair. Depois ir para casa. E tudo ficaria bem.
Uma dupla de vampiros guardava a entrada do lugar, garantindo a organização, e ela esperou pacientemente até chegar sua vez. Experimentou um arrepio discreto ao perceber que era observada de alto a baixo.
— Documentos? — falou o mais baixo deles, com uma expressão desconfiada no olhar.
Rebecca mostrou seu sorriso mais gracioso e tirou da pequena bolsa a carteira de motorista. O outro verificou com cuidado, mais demoradamente que os outros documentos que haviam passado por suas mãos naquela mesma noite, ela pode observar. Quando finalmente o devolveu, ela o enfiou na bolsa o mais rapidamente que pôde, e ele abriu caminho para que ela passasse, mas não sem um último olhar que ela pegou com o canto dos olhos.
Ela seguiu em frente sem olhar pra trás, mas o que viu lá dentro a deixou mais deslocada do que aquilo que vira do lado de fora — apesar de pelo menos a decoração estar dentro de suas expectativas, com tons de preto, vermelho e cinza predominando.
Devia ter pelo menos umas cinquenta pessoas ali, fora as que ainda estavam chegando. Ela nunca vira tanta gente se passando por vampiros em sua vida inteira e quase riu pela ironia que percebeu conforme se aproximava mais da área do bar.
Por milênios vampiros fingiam ser humanos e agora, que finalmente haviam se revelado, os humanos se fingiam de vampiros para atraí-los.
Nas caixas de som, uma música agitada ecoava, fazendo com que um grupo animado na pista de dança ensaiasse alguns passos e forçando os outros presentes a chegarem bem perto uns dos outros se quisessem conversar.
Havia algo naquela letra... Algo que parecia bastante familiar, como se ela conhecesse aquela música, mas não conseguisse se lembrar de onde.
Esforçando-se para manter o foco, Rebecca avançou, se esgueirando entre as pessoas que dançavam ou bebiam. Experimentou um segundo momento de hesitação quando percebeu que o momento que mais adiava havia chegado, mas respirou fundo de novo e resolveu seguir em frente.
Liberar suas habilidades de dhampir era algo semelhante a abrir uma janela em um dia de tempestade. Um jorro de sensações distintas que se causavam ao mesmo tempo medo, desconforto e fascinação. O ambiente se revelou a ela de uma forma totalmente diferente.
Pelo menos quinze deles eram vampiros de verdade, sem contar com os dois que estavam na porta, e conforme ela se aproximava, a influência deles ia crescendo. Dois deles eram bem mais velhos do que ela poderia contar.
A segunda coisa que lhe chamou a atenção era que muitos olhares se focavam exatamente nela: uma garota jovem, desarmada e sozinha. Uma presa relativamente fácil.
No entanto, aqueles mais atentos percebiam muito bem que não poderiam se meter com ela e saírem sem alguns arranhões. Eram espertos o bastante para saberem o estrago que uma mestiça como ela poderia causar. Então, Rebecca optou por ignorar os olhares, cobiçosos de alguns e receosos de outros, além da música agradável, apesar de perturbadoramente alta.
Rapidamente, e voltando a reservar seus poderes para si, ela se aproximou do balcão. Segundos depois o barman, outro vampiro, estava a sua frente e a olhava com contido temor.
— O que deseja beber?
“Devo ser louca por estar aqui, mostrando quem realmente sou e me preparando para encher a cara”, pensou. “Mas não é como se eu tivesse escolha. Se não consumir nada, alguém pode desconfiar antes do tempo”.
Com aquilo em mente, decidiu:
— Uma taça de vinho tinto, por favor.
O barman se afastou, deixando-a sozinha mais uma vez, e ela se viu invadida por um grande fluxo de energia vindo de algum ponto lá na frente que tentava se impor sobre seus pensamentos, como se quisesse que ela voltasse o olhar para encarar a fonte.
Um novo arrepio, aquela sensação já bem conhecida de torpor e medo se misturavam em seu ser. Eram sentimentos bem conhecidos por ela. Quem quer que estivesse fazendo aquilo, não era o primeiro a tentar sugestioná-la mentalmente. Sentia uma vontade quase irresistível de se virar, ir até a origem daquela insinuação e seguir toda e qualquer ordem que lhe fosse dada.
Mas era resistente, não iria se render tão fácil. Descendia de uma linhagem bastante forte e tinha treinado para se fechar contra aquelas investidas — embora não o bastante, tinha que admitir.
O duelo entre sua própria vontade e a que lhe tentavam implantar deixavam algumas marcas em seu corpo, perceptíveis a algum observador atento: olhos discretamente arregalados, alertas a qualquer contato visual suspeito e tentando se livrar do causador do problema; mãos ligeiramente trêmulas, assim como os lábios; e todos os pelos do corpo eriçados.
Parecia mesmo um animal acuado, que procurava qualquer oportunidade de fugir. Ali, longe de casa, cercada por desconhecidos — alguns deles podendo matá-la de forma tão simples que pareceria patética —, ela se sentia mais desconfortável do que em qualquer outra situação de que conseguia se lembrar. Sentia-se vulnerável e teria que se concentrar para se libertar. Quem estava tentando dominá-la era muito mais forte. Um daqueles muito velhos, talvez.
Como quem luta para permanecer na superfície quando está se afogando, procurou qualquer detalhe que pudesse distrair sua mente para se agarrar e viu o barman voltar com seu vinho logo em seguida. Tomou a taça deixada em cima do balcão, percebendo que estava muito tensa e teria que relaxar, se não quisesse que o vidro se espatifasse entre seus dedos, tamanha a força que empregava ali inconscientemente.
Rebecca suspirou, pensando que se aquilo acontecesse e ela acabasse se machucando e sangrando, teria ainda mais problemas. Voltou a pegar a taça, mais delicadamente dessa vez, e tomou seu conteúdo com o máximo de calma possível. Instintivamente, se preparou para uma nova onda de poder, mas para seu alívio ela não veio.
Ao menos, não imediatamente.
Já estava acreditando que estava livre e poderia cumprir sua missão quando sentiu novamente alguém querendo se apossar de sua mente com ainda mais força que a tentativa anterior. Ficou levemente tonta e fechou os olhos por alguns segundos, sorvendo o ar e soltando-o bem devagar.
Não ia se entregar.
Percebera que não era mais um lugar tão seguro — se é que um dia já fora seguro para alguém em sua posição — e resolveu conseguir logo o que queria para sair dali. Esperou que o barman se aproximasse mais uma vez e murmurou:
— Eu poderia fazer algumas perguntas?
Ele a olhou, analisando suas expressões.
— Quais?
Ela esperou que mais uma pessoa deixasse o balcão para continuar:
— Poderia me dizer quem é Mathias Morgenstern?
A expressão de surpresa dele pareceu ficar ainda mais evidente.
— Depende do que você quer.
Ela respirou fundo mais uma vez, tentando se acalmar um pouco mais.
— Vim sob ordens de Phillip Thatcher. Fui até sua casa procurá-lo, mas me disseram que estaria aqui essa noite. Temos um assunto a tratar.
Ele ficou calado por alguns segundos bastante incômodos para Rebecca e logo em seguida pareceu olhar por cima de seu ombro. Ela acompanhou os olhos dele e descobriu um homem sentado logo mais à frente numa mesa luxuosa acompanhado por outros três homens e uma mulher — todos vampiros, ela percebeu imediatamente — numa posição privilegiada de onde podiam ver tudo o que acontecia.
A mulher elegante parada ao lado dele, bonita e também loira, trajando um vestido preto de alças e botas pretas de cano alto com saltos ainda maiores que os da própria Rebecca, lhe pareceu sussurrar alguma coisa. Em seguida os olhos dele, azuis e brilhantes, encontraram os dela, que engoliu em seco. Era o vampiro mais forte que havia visto desde seu último encontro com Phillip.
Então a voz do homem ao seu lado se fez ouvir novamente.
— Ele é Mathias — disse o barman, fazendo Rebecca desviar o olhar para encará-lo. Alguns segundos de silêncio incômodo se passaram antes que ele voltasse a se pronunciar: — Não sei o que você quer com ele, mas vai precisar de um pouco mais de uma indicação importante para isso.
Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, como que surgida de lugar nenhum, ouviu uma voz atrás de si.
— Temos uma visitante nova por aqui.
Rebecca se virou para olhar e viu a mesma loira que estava ao lado de Mathias segundos antes.
— Ela tem algo para falar a ele e-
— Eu sei — respondeu a loira, cortando a fala do outro embora não tivesse se pronunciado de forma rude. Então se voltou para ela: — Queira me seguir, por favor.
Rebecca virou para o barman e sussurrou um agradecimento após deixar sobre o balcão algumas notas para pagar o que havia consumido.
Assim que percebeu para onde a vampira a estava levando, tratou de pensar no que diria. Estava indo diretamente ao encontro do misterioso loiro, que agora não olhava mais para ela e sim para um lugar qualquer na entrada. Os outros que estavam com ele — provavelmente seguranças, visto o fato de ele ocupar um importante grau na hierarquia vampiresca — saíram da mesa e começaram a circular pela boate, deixando-o sozinho.
Meio sem querer um pensamento surgiu na cabeça de Rebecca: ele era bonito, sensual e poderoso. Talvez pudesse voltar ali depois, em uma situação mais informal e...
Tratou de afastar a ideia tão rapidamente quanto ela lhe surgiu. Não sabia ainda dizer se era uma ideia sua ou plantada em sua mente depois de todas aquelas tentativas. Em todo o caso, resolveu permanecer focada. Era algo importante, um caso de vida ou morte, não podia se distrair.
Além disso, já tinha problemas demais com vampiros para se meter em mais um.
Quando chegaram mais perto, ele se dirigiu para a loira e, sem sequer olhar para qualquer uma delas, falou calmamente:
— Então, Elle, o que temos aqui?
Só então a encarou.
— Ela está procurando você. — Elle voltou a tomar seu lugar ao lado dele.
— É, eu ouvi... — E olhou Rebecca com uma expressão indecifrável. — E ouvi também que veio a mando do Phillip. Vejamos... O que ele quer?
— Não é pra ele, é pra mim. Estou com alguns problemas... Uma vampira está me perseguindo e não quero ser obrigada a violar nenhuma de suas leis, então soube que você tem algo que pode fazer com que ela me deixe em paz. É tudo o que eu quero.
Os dois se entreolharam logo depois, de tal forma que Rebecca se perguntou se seria possível eles conversarem telepaticamente quando ficavam se encarando.
Então se descobriu apreensiva, seu coração martelando com força. Todas as suas esperanças estavam ali e se não encontrasse o que precisava, estaria em problemas ainda piores do que aqueles que já estavam acontecendo.
Passou-se pouco tempo até que eles voltassem a prestar atenção nela, mas foi como se fossem anos de tão ansiosa que ela estava. Mathias levantou — fazendo Rebecca perceber que devia temê-lo não só pelo poder, mas pela enorme altura —, e se aproximou, falando de forma que apenas ela o ouvisse:
— Me acompanhe e poderemos conversar com mais calma e sem tanta gente por perto.
Ele lançou mais um olhar cheio de significados pra Elle e se dirigiu ao lado direito do balcão onde eram servidas as bebidas. Rebecca esperou que ele tomasse certa distância e só então começou a segui-lo.
Ele passou pela porta e esperou que ela o alcançasse para fechá-la, deixando os dois sozinhos no espaço semi-iluminado. Rebecca olhou para frente, vendo um corredor não muito extenso, com algumas portas de ambos os lados e uma ao fim dele, para onde Mathias se dirigiu. Pouco depois, estavam sozinhos na sala usada como escritório.
Não era um espaço grande, mas apesar de estar organizado de uma forma diferente do que ela estava acostumada, Rebecca percebeu que se sentia estranhamente confortável ali. Aliviada, observou que ali a música quase não era ouvida.
Notou também, já com certo receio, que se precisasse de socorro, muito dificilmente alguém ouviria.
— Então... Como vai o Phillip?
Ele sentou em uma cadeira confortável de couro indicando as que estavam dispostas à sua frente.
— Bem. — “Eu espero”, e se sentou. — Mas não nos vemos há um tempinho.
“Uns oito anos, para ser mais exata”.
Nunca antes se sentiu tão grata ao fato de vampiros não conseguirem ler mentes.
— Ele mandou você vir até aqui?
— Não exatamente...
— E, exatamente falando. — Ele não se preocupou em esconder a ironia de suas palavras. — Que tipo de problemas você está enfrentando?
Rebecca suspirou antes de continuar:
— Há algum tempo, encontrei uma vampira que não parou de me perseguir desde então. Conseguiu meus telefones, se aproveitou de um momento em que eu não estava em casa para induzir minha tia a deixá-la entrar e tem me ameaçado. Transformou minha vida num verdadeiro inferno! Não sei o que fazer para que ela vá embora e não quero destruí-la. — Tomou fôlego e emendou: — Sei o que acontece com quem mata vampiros sem autorização.
— Pelo menos é esperta... — comentou ele, despreocupadamente. — Sabe o nome dela?
— Sim, Roxanna.
Por algum momento ela imaginou tê-lo visto com uma expressão de desagrado.
— Roxanna?
— É, Roxanna Curtis. Nos encontramos quando precisei viajar até Los Angeles.
E ela percebeu que não era impressão. Ele realmente não gostou do que ouviu e deixou isso evidente pela forma que fechou a cara numa expressão de irritação. Em seguida, passou uma das mãos pelo cabelo e se esforçou para parecer despreocupado.
Mas era tarde. Ela já tinha percebido.
— Então você está com sérios problemas, realmente.
O sorriso dele pareceu irônico, apesar de discreto.
Tirando coragem de algum lugar totalmente desconhecido, Rebecca se ouviu perguntar — e se arrependeu no segundo seguinte ao que as palavras deixaram sua boca:
— Você a conhece?
— Infelizmente. — O sorriso irônico ficou maior. — Mas você deu sorte. Um de meus sócios não é vampiro, então ele precisa usar certos... “Artifícios” para ter certeza de que não está sendo induzido. Não que nós queiramos induzi-lo a fazer algo que não queria, é claro. — Apressou-se em completar, ainda com o sorriso sarcástico no belo rosto.
Então esticou o braço e abriu uma gaveta da mesa. Tirou de lá uma caixa preta que lembrava as que eram usadas para guardar joias e exibiu para ela o conteúdo.
Rebecca viu um lindo colar com um pingente que continha alguma substância que não conseguia definir a cor. Algo entre o vermelho-claro e o laranja.
— É lindo!
— Pegue. A corrente é de prata pura, eu não posso.
Ela obedeceu, ainda hesitante, tomando para si a joia.
— O que tem dentro?
— Verbena. Não sei se você sabe, mas ajuda a fechar a mente contra os vampiros — respondeu e devolveu a caixa ao seu lugar. — Como você disse que se chamava mesmo?
Foi a vez de ela rir, discretamente.
— Eu não disse. — Seus olhos ainda estavam presos na peça quando ela respondeu: — Rebecca Howard.
— Realmente esperta. — E sorriu novamente. — Mas mesmo isso não será páreo para ela. Roxanna é obsessiva e não descansa enquanto não consegue o que quer. Você vai precisar de mais que uma simples dose de verbena para expulsá-la definitivamente de sua casa e evitar manipulações mentais novamente. Preciso que guarde segredo sobre isso, mas ela não hesitará antes de matar alguém para conseguir o que quer que ela queira de você, acho bom você começar a pensar em fazer o mesmo para se salvar.
Rebecca olhou de soslaio para o relógio na parede atrás dele. Já era quase nove horas.
Ainda estava surpresa por ele parecer tão disposto a ajudá-la, mas resolveu não discutir. Será que gostava tão pouco de Roxanna assim para liberar seu assassinato? Ela ainda não queria dar aquele passo, então optou pelo caminho mais seguro:
— Tudo o que preciso fazer é expulsá-la?
— Sim, só retirar o convite, então ela não vai mais conseguir entrar. Depois use a verbena. Mesmo que não seja algo tão necessário para você, nunca se sabe. Aconselho que use. E ela está concentrada, então ainda pode ser dividida em umas três ou quatro porções que seu efeito não será reduzido. Entregue para quem more e precise de proteção. Mas pense do que eu disse... Talvez apenas isso não baste.
— Muito obrigada por tudo, mas eu preciso ir agora — desconversou. — Prometi a minha tia que não iria demorar muito.
— Dê lembranças ao Phillip quando encontrá-lo.
— Eu darei.
“Se, algum dia, ele resolver aparecer de novo”, completou mentalmente e se levantou, afastando-se devagar.
Mas antes que alcançasse a porta, ele voltou a falar:
— Se eu fosse você não voltaria para o bar. A terceira porta à esquerda, quando você sair, vai levá-la ao nosso estacionamento de funcionários, depois é só dobrar à direita e estará no estacionamento para clientes.
— Obrigada por isso também.
E abriu a porta, mas ele continuou:
— Você é a nossa primeira mestiça, primeira dhampir a vir ao Dracula’s Bride. E eu já ouvi falarem muito de você, mas não pensei que fosse tão ousada e resolvesse liberar os poderes aqui. É uma pena, mas, ao contrário de mim, nem todos gostam de mestiços e muitos desse tipo vem a este bar. Tome cuidado lá fora.
E, de repente, ela entendeu quem estava por trás das ondas de poder que tentaram dominá-la.
Rebecca apenas assentiu, decidida a refletir sobre aquilo quando estivesse em casa e segura, e fechou a porta do escritório. Então seguiu a dica de Mathias e alcançou a saída sugerida por ele. Afastou-se a passos largos da casa noturna até alcançar a rua e ver seu carro do outro lado. Caminhou até ele, pegou a chave e o abriu, sentindo-se tranquila apenas quando sentou ao volante e travou as portas e janelas.
Só então percebeu que suas mãos tremiam. Mais uma de suas sessões de respiração e meditação — que estavam ficando bem frequentes naqueles tempos — e só quando percebeu seus batimentos cardíacos voltando ao normal, voltou a prestar atenção ao colar.
Colocou-o no pescoço assim que recuperou o controle completo de seus movimentos. Era levemente pesado, mas ela se sentiu bem mais segura e leve ao dar a partida no veículo e fazer o caminho de volta para casa. Desejava profundamente que Mathias estivesse certo e aquilo fosse o bastante para mantê-la longe de problemas.
Mas não foi.



Quem sobreviveu a esse capitulão, eu ficaria feliz em ouvir o que tem a dizer HAHAHA Nos vemos domingo que vem ;)

10 comentário(s):

  1. Eu adorei essa degustação. Acho que o capítulo está bem construído e conseguiu apresentar muito bem a personagem principal e sua (não tenho certeza) antagonista. Estou ansioso para ler os próximos e ver essa estória postada no Nyah!, para que eu possa favoritá-la e COMENTAR OS CAPÍTULOS PORQUE EU QUERO MAIS! MISHELE, NÃO ME ARRASA, NÃO.

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    1. Awn, fico super feliz de ouvir isso <3 Só falta revisar mais uma vez e mandar pra beta quando ela tiver tempo. Aí acho que já rola postar.
      Espero que goste *-------*

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  2. Miga, que final foi esse? Deu teto preto, aqui -q
    Não sou boa em degustação, sou gulosa. Quero mais.
    Tenho medo da Roxanna, xodó da Becca e paixãozinha pelo Matti.
    E quero o colar de prata com verbena tbm, mas só como relíquia, pois Drac, venha. -qqqq
    O capítulo tá "louco de especial", como dizemos aqui no sul. Foi muito bem construído, o Dracula's Bride bem descrito, as personagens bem apresentados e aquele gostinho de "quero mais" super presente (e não só no final do capítulo). É como ler um (bom) livro. Amei.
    E obrigada por me citar ali. <3
    Desculpa ficar incomodando, pedindo direto sobre as fics, tá quase "e os namoradinho?" versão Nyah. -q
    Amo-te, sua linda.

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    1. Esse é um daqueles comentários que a gente nem sabe como responder <3 Primeiramente, NÃO PARE DE PERGUNTAR SOBRE AS HISTÓRIAS. É justamente por causa desses pedidos que escrevo. Se não tivesse ninguém pedindo e se interessando, eu provavelmente não escreveria ou faria de qualquer jeito pra engavetar HAHAHA Não é chato, mesmo. Pode continuar.
      E muito obrigada pelos elogios, flor <3 Deu bastante trabalho, mas acho que finalmente consegui deixar como queria <3 Só mais uns ajustes no enredo e OPA A FIC TÁ PRONTA. Mas é coisa pequena. 98% do caminho já foi percorrido <3
      Muito obrigada por ler, acompanhar, palpitar, se empolgar... Aviso assim que sair mais <3

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  3. Amei! Não sou muito chegada a história de vampiros (culpe Crepúsculo por isso), mas a sua realmente me atraiu: já começou começando (odeio escritor que faz a ficha do personagem antes de engatar a história), as descrições foram bem-feitas e gostei dos personagens (Roxanna é um codinome da Katherine Pierce e ninguém pode me convencer do contrário).
    Posta mais ;)

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    1. Gente, que feliz ♥ Crepúsculo infelizmente estragou histórias de vampiros pra muita gente. Até pra mim, por um tempo HAHAHAH Espero poder colaborar minimamente para mudar isso, mesmo que esteja a anos-luz da qualidade de autoras como Anne Rice. Se conseguir mudar a visão de 5 pessoas, já estou feliz HAHAHA
      Descrições são minha preocupação sempre. Fico com medo de colocar de menos ou demais, então fico bem feliz com sua observação.
      E acredito que ela deverá estar online em breve. Só preciso fazer alguns ajustes no enredo pra fechar um pontinho que ficou em aberto, mas de resto, acho que 90% já está pronto.
      Muito obrigada pelo comentário e pelo incentivo. Os comentários de vocês são muito importantes pra mim ♥

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  4. Oi Michele, não sei pq mas pelo cel os posts não estão abrindo inteiros😢😢😢
    Ficam assim http://i.imgur.com/cZsQZCo.jpg

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    1. Uma amiga me falou que resolve tirando o m=1? do fim do post ^^ Mas preciso dar uma mexida nesse layout pra ver se resolvo isso.

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  5. Você ate brincou com o capítulo ser grande, mas a leitura fluiu tão bem que nem notei quando finalmente cheguei so final. O que talvez foi pior, para mim, já que a degustação cumpriu seu propósito e me deixou muito interessada em ler mais. Sua narrativa e forma de criar a atimosfera das cenas me pareceram muito agradáveis e... Hum... Imersivas. Sim provavelmente esta seja uma boa palavra pra descrever. A demonstração das emoções dela e o desconforto para "rebater" a vontade impostas foram pontos que gostei bastante.
    Espero que Sangue Eterno seja ums bos filha e deslanche logo para podermos ler ambas!

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    1. Muito obrigada, flor. Isso muito me tranquiliza porque Moonlight vai ser uma história meio grandinha hahaha Espero conseguir manter esse nível nos capítulos seguintes de forma que mesmo os capítulos enormes como esse (teremos outros de tamanho semelhante), não fique maçante de ler ^^
      O problema com SE é um buracão no enredo lá no meio que não sei como corrigir porque não gostei de uma trama e excluí.... mas ela fará falta lá no meio HAHAHA Mas vou tirar esses meses de janeiro e fevereiro pra pensar com calma sobre ela e acho que vou escrevê-la no Camp NaNo de abril <3 Espero conseguir.
      Muito obrigada pelo comentário ^^

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