Os Pilares de uma Boa História

domingo, fevereiro 19, 2017


Olá, escritores. O post de hoje é algo que eu queria fazer há MUITO tempo, mas acabava adiando por não gostar de como ele ficava e ter outros assuntos mais urgentes que eu queria discutir com vocês antes dele.
Pois bem. Finalmente chegou o dia.
Hoje vamos conversar sobre o que faz uma história ser viciante, impossível de ser posta de lado. Aquelas que a gente senta pra ler e quando vê, já está quase acabando porque simplesmente não consegue largar.
Acho que escrever uma história dessas é o sonho de qualquer um de nós e sabendo alguns pontos em comum delas o trabalho fica um pouco menos difícil, mas já adianto que não é tão simples como parece.
Sem mais delongas. Vamos lá!


#1 Boa história para contar
As coisas já começam tensas, embora esse seja — já adianto — o ponto mais fácil dos três. Como saber qual das inúmeras ideias que temos é a melhor? Que ideia tem mais potencial de ser desenvolvida até o final com certo nível de qualidade?
A melhor ideia é a que vai fisgar seu interesse em contá-la e tem um enredo bem construído. Então temos que manter a mente afiada para perceber que história é melhor de escrever em cada momento.
O primeiro passo é anotar todas as ideias que você tiver com o máximo de detalhes possível e ir, lentamente, tentando desenvolvê-las, conectar as tramas, aprofundar os personagens e ir vendo que formas elas tomam.
Chegará o momento em que você terá o estalo de qual história é a melhor para aquele momento, qual já está mais adiantada e qual você mais gosta e quer levar até o fim.
E o que fazer com as outras? Guarde-as! Regra número 1: Não apague nem jogue nada fora. Tudo pode ser aproveitado ou desenvolvido mais tarde.


#2 Boa técnica
O segundo ponto é, sem dúvida, uma boa técnica para contar bem essa história. E não falo apenas de português. Saber manejar a língua a seu favor é apenas a primeira parte. Não basta apenas saber escrever corretamente, de forma limpa e sem repetição de ideias.
Falo aqui também de técnica de planejamento de enredo, de construção de personagens, de começos instigantes de histórias e capítulos, meios interessantes e finais dignos.
Com estudo e dedicação, você pode perfeitamente aprender as técnicas comuns e até desenvolver as suas (misturando “padrões” já existentes e criando novas variações). Não é tão fácil, já que depende de trabalho árduo e não somente daquele “click!” das ideias. É algo que depende apenas de você. De sua capacidade de aprender e colocar em prática as informações assimiladas.
Mas pode ser tranquilamente aprendido se você tem força de vontade. Na internet, o que não falta é blog de autores dando dicas e ensinando o que sabem. Obviamente, todos bem mais gabaritados que eu. Regra número 2: Sem preguiça. Vá estudar. Abra o Google, digite o que quer saber, estude, faça suas anotações, pratique e boa sorte!


#3 Capacidade de envolver o leitor
Agora de todos, chegamos ao pilar mais difícil porque ele não depende em nada de você enquanto autor.
Você pode ter a melhor técnica, estar contando uma história excelente, mas ainda assim alguns podem não se interessar tanto por ela porque o envolvimento do leitor com o texto depende de uma série de fatores que você não pode controlar: experiências, sonhos, medos, bagagem cultural e uma série de outros que eu poderia ficar listando aqui para sempre.
Apenas para citar um exemplo: eu amo os livros da Anne Rice, mas tenho dificuldades em engrenar a leitura de primeira porque tenho dificuldades de me ligar com os personagens, mesmo o Lestat (meu preferido de longe!). Acredito que se deva ao fato de cada um deles terem passado por experiências bem distantes do meu cotidiano e vivido coisas que eu ainda não vivi.
Ou pelo fato de eu sempre ler de noite com sono. Não sei. Pode ser.
Já com as histórias da Charlaine Harris, eu grudo e não paro mais, mesmo a técnica da Rice sendo muito superior. Talvez por a Sookie ser alguém mais “perto” de mim (idades mais próximas, cotidiano meio parecido e até algumas opiniões e gostos semelhantes).
As duas autores falam sobre as mesmas criaturas (vampiros, em sua maioria), escrevem em primeira pessoa (em geral, mas a Rice também escreve em terceira pessoa e/ou alterna os POVs) e possuem boas histórias. E ainda assim, eu leio mais facilmente uma que outra, por razões que nenhuma delas consegue mudar.
E nem eu. Infelizmente.


O ponto do post, porém, não é desmotivar você. Por mais que não possamos prever com exatidão que emoções nossos leitores terão, dê sempre o seu melhor em termos de técnica para contar a melhor história que você conseguir encontrar e tentar (técnicas para isso existem aos montes) criar uma ligação emocional entre seus leitores e seus personagens.
Enfrente sua audiência de cabeça erguida e a leveza de ter feito o melhor que conseguiu fazer. Apenas é bom manter a cabeça no lugar também e saber que há quem vá adorar e ler em uma hora o que você levou meses para escrever e se ligar há seu texto de uma forma sem igual, mas também terá quem vá gostar menos e até quem não goste nem um pouco de sua história.
Acontece, é normal, e está totalmente fora de nossa alçada, afinal gosto é algo bem subjetivo.
Agora saia da internet e vá escrever! Nos vemos domingo que vem ;)

2 comentários:

  1. Lendo a ultima parte me lembrei de um capítulo de uma antiga história que, surprise!, tá em hiatos desde que o site que postava deu pau. Eu amei escrever aquele capítulo por passar horas conhecendo uns lugares em Vancouver, pelo google maps e afins pq dinheiro não temos, e rolou um review de que tinha sido o capitulo que menos a pessoa tinha gostado. Ai que dor nesse dia, mas relendo ele depois de um tempo ainda era um capitulo que me fazia feliz. Conseguir aceitar isso de que não rola agradar geral é um exercício que todo autor precisa, mesmo nem sempre sendo dos mais fáceis.

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    1. Aconteceu comigo de eu adorar um personagem e o pessoal odiar a ponto de implorar pra eu matar HAHAHAHA Ou o contrário: eu odiar o dito cujo e todo mundo ficar apaixonado por ele. Quem nunca?
      Acho que é um grande exercício de maturidade pra gente aprender a lidar com as críticas. No começo é difícil e a gente sofre pra caramba, mas depois de um tempo passa e a gente acostuma um pouco. Nunca vamos agradar todo mundo; e quanto mais cedo a gente aprender a lidar com isso, melhor. ^^

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