O Que um Desenho me Ensinou Sobre Escrita


Propositadamente, deixei pra mostrar o desenho depois, assim ninguém toma spoiler HÁ!
Enfim, vamos lá.
Quem já me acompanha há algum tempo sabe o quanto eu tenho sofrido com meu processo de escrita. Eu já sou normalmente enrolada para isso, mas ultimamente tem ficado um pouco pior. Estou me tornando quem jurei que não seria: alguém obcecada por detalhes. Que volta para escrever e reescrever mil vezes as mesmas coisas.
E isso que ainda estou reformando o plot, calcule o que vai ser quando eu partir para o texto em si.
Por causa disso, tenho desejos frequentes de parar de escrever, apagar essa história, recomeçar tudo do zero, mudar o enredo inteiro, etc. Tudo isso junto e mais de uma vez por dia. Tem horas que não sei mais o que fazer e minha única opção restante é sentar na frente do pc, ficar encarando aquele monte de palavra desconexa e tentar não ter outra crise :v
Tudo o que me perguntei por um bom tempo é: "como eu posso sair dessa fossa e voltar a trabalhar, sem-or? Alguém me ajuda D:"
Pois bem... em minhas muitas andanças internet (e Pinterest, principalmente) afora, vez por outra, encontro imagens que nem têm nada a ver com algo que estou fazendo no momento, mas que me ensinam bastante coisa.
A da vez é esse desenho aí embaixo.




Trata-se das etapas de finalização de um desenho, desde o primeiro rascunho até o final.
Particularmente, adoro desenhos porque são algo que eu nunca soube fazer e fico realmente fascinada quando vejo uma arte gráfica bem feita. Não que OMG eu seja expert em literatura, mas pelo menos sei me expressar com clareza. Desenhando, eu consigo, no máximo, fazer um boneco palito e um sol com carinha.
E ainda sai torto. Mas divago.
O que quero dizer com essa imagem é que... para fazer arte é preciso não apenas talento, dedicação e treinamento. Paciência tem que estar acima de tudo isso. Puxando para o que fazemos, escrever é a arte de ter paciência.
Para desenhistas, o processo pode ser um pouco menos angustiante (me corrijam se eu estiver errada, por favor) por ser algo mais gráfico, vendo a primeira imagem, mesmo sem saber desenhar, podemos visualizar mais ou menos bem como o seu criador espera que ela fique no final (com mais ou menos detalhes, mas conseguimos).
Já na escrita, o buraco é mais embaixo.
Quando terminamos nossa primeira versão de qualquer texto, NÃO FAZEMOS A MÍNIMA IDEIA DE COMO AQUILO VAI FICAR. Temos a ideia em nossa cabeça (e alguns nem isso, preferem improvisar), mas não dá pra saber como será o projeto depois de finalizado. Podemos apenas TENTAR deixar da forma como imaginamos. Além disso, não sabemos em qual etapa estamos do processo e isso é frustrante para muitos de nós.

Para mim, foi (e ainda está sendo, devo dizer) quase desesperador. Cheguei a achar que jamais terminaria algo. O tempo todo, o perfeccionismo e a procrastinação se combinavam para atrapalhar, junto com o jorro de “e se eu mudasse isso daqui?” que na verdade não mudam “só isso aqui”, mas acabam interferindo na história inteira.

Achou que eu estava brincando, né? Eu bem queria estar. Aproveita e olha as datas de criação dos arquivos e vê há quanto tempo sofro com esse mal (isso que ainda tinha umas três versões antigaças que apaguei) '-'

Não uma ou duas vezes, cheguei a pensar em chutar o balde e deixar como estava mesmo ou, pior ainda, desistir disso e ir fazer algo útil da minha vida mesmo, mas essa imagem me fez ter uma epifania.
É desesperador? É. É angustiante, sufocante e quase insuportável a sensação de estar perdido no próprio mundo que criou, de não saber bem o que fazer para lapidar aquela ideia até deixá-la o melhor possível.
Mas chorar e me lamentar não vai me levar a lugar nenhum. Desistir, então, menos ainda. Se o criador da imagem lá de cima tivesse desistido logo nas primeiras etapas, jamais teríamos essa belíssima arte final (fragmento de arte, na verdade, mas ainda assim). É preciso paciência.
Treino, estudo, leitura, mil tentativas... mas, sobretudo, paciência.
Como já diz o clássico ditado, Roma não foi construída em um dia. Nenhuma das obras (sejam elas livros, pinturas, esculturas, músicas, etc.) que hoje amamos foi feita numa sentada só. A primeira versão, talvez, mas essas obras tais como conhecemos só se tornaram tão marcantes porque aqueles artistas que admiramos passaram por esse mesmo processo de verter sangue, suor e lágrimas pelo qual passamos hoje. Sem trabalho árduo, ninguém tem recompensa.
Ok, ok. Tem pessoas que chegam a certos patamares por contatos ou dinheiro, ou whatever... Mas você quer ser conhecido apenas como alguém que usou o Quem Indica para chegar aonde queria, ou alguém que lutou contra todas as adversidades (até consigo mesmo) para entregar ao mundo um trabalho de qualidade e que, por que não?, pode ser inspirador para quem vem depois de você?
Posso estar sonhando alto demais, mas somos do tamanho de nossos sonhos e eu, sinceramente, prefiro essa segunda opção.
Se teve algo que esse desenho me ensinou é que posso, sim, chegar aonde quero com minhas histórias, não importa o quão difícil seja agora. Basta eu continuar tentando, melhorando, lapidando essa ideia até deixá-la a linda joia que quero depositar nas mãos de vocês. Basta eu não me apressar, não meter os pés pelas mãos, não me deixar cegar pelo “preciso postar agora, pra não perder leitores”. Melhor perder leitores pela demora, mas recuperá-los depois com postagens regulares do que perdê-los pela falta de qualidade no texto. Não se engane: esses nunca voltam.
É como se a escrita fosse uma fase difícil em um jogo. Vou sofrer, chorar, jogar o controle na parede... mas a única forma de eu perder é se eu desistir.
Então, meus caros, vamos limpar essas lágrimas e continuar seguindo. Um passo de cada vez, um pouco por dia. E agora vamos lá, porque sinto que vou começar a quinta versão do plot em 5...4...3...
Até domingo :*

4 comentários:

  1. Sofro do mesmo mal kkkk
    As vezes, quero tanto escrever uma história que peco no planejamento e isso significa que vou abandoná-la no meio, pois não tenho um direcionamento e as coisas ficam muito loucas e fogem do controle. Outras vezes, eu planejo bastante e perco a animação para escrever a história em si. Até agora não descobri um meio termo.
    E parece que dá um medo em colocar a história no papel e ela não sair como pensamos. Acho que essa é a causa da minha procrastinação kkkk

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    1. Meu maior medo é deixar furos e o tempo passar de forma não realista. Por exemplo, pra um núcleo de personagens ter passado quatro dias e pra outro, cinco HAUAHAAUHAU São duas coisas que me preocupo bastante e acabo me irritando porque algumas coisas não sei se estão dentro de uma margem plausível de tempo.
      Mas um dia a gente supera HAHAHAHA

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    2. Me identificando com a KW ai de cima em relação a ter dois estremos se perder no planejamento ou planejar e não escrever a história em si.
      Pro seu comentário de núcleos com passagens de tempo dispares, seria legal fazer um calendário não? Tipo aqueles de planer com os eventos acho que ajuda a guiar.

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    3. Nossa, é uma boa ideia <3 Muito obrigada, vou tentar *-----*

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